quarta-feira, 2 de abril de 2025

O primeiro momento entre fé e razão no pensamento medieval: uma resenha de “Figuras do pensamento medieval”


Lauand, João Sérgio (org.) Temas e figuras do pensamento medieval. Jean Lauand (org.) : vários autores São Paulo: Factash Editora, 2009. p. 14 x 21 cm.
João Sérgio Lauand, Doutor em Psicologia da Educação pela Faculdade de Educação da USP, Foi professor, entre outras, da escola Politécnica da USP e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, Membro Fundador do CemOrOc – Centro de Estudos Medievais – Oriente & Ocidente, da Faculdade de Educação da USP. Professor Investigador do IJI-UP, Instituto Jurídico Interdisciplinar, da Faculdade de Direito do Porto. Professor da Escola Dominicana de Teologia.
                  “Temas e figuras do pensamento medieval” é um conjunto de textos organizados por João Sérgio Lauand com participação de Jean Lauand, Julián Marías, Roberto C. G. Castro e Josef Pieper. São sete textos que trabalham o cristianismo diante da filosofia numa análise que inclui Santo Agostinho, Boécio, Cassiodoro e São Tomás de Aquino.
                      Os textos tratam dos dilemas de personalidades da igreja cristã que lutaram para tornar o conhecimento religioso algo filosófico e mais próximo do racional. Percebe-se a seguinte divisão no trabalho dos autores: Lauand introduz com “O cristianismo diante da filosofia e da cultura pagãs”. As outras partes, dos outros autores, são nomeadas em “Agostinho e o crepúsculo de Roma”, “Agostinho e a Filosofia”, “A leitura alegórica da Bíblia”, “Boécio e Cassiodoro: a transmissão da cultura aos bárbaros”, “O Pseudo-Dionísio Areopagita: o “antídoto” medieval ao racionalismo na teologia”, “O Elemento Negativo na Filosofia de Tomás de Aquino”.
                     Em “O cristianismo diante da filosofia e da cultura pagãs”, o leitor é convidado a olhar o histórico e o momento da cisão entre a religião judaica e a cristã que, diferente daquela, assimila coisas boas da cultura pagã e deixa participar em si aqueles que não nasceram no judaísmo. Sobre as ideias consideradas “ruins”, Lauand reforça o descarte com texto do apóstolo Paulo. O autor também chama a atenção para uma característica típica do cristianismo: a necessidade do cristão se distanciar do conhecimento formal ensinado nas escolas e universidades e os cuidados com o falso cristianismo que é o maniqueísmo. Interessante ainda falar da vertente mais dura e radical de alguns cristãos, Aquela pregada por Tertuliano que trata de uma moral que se afaste totalmente de práticas pecaminosas.
                      Em “Agostinho e o crepúsculo de Roma”, Jean Lauand relata o declínio do império romano, a queda do mundo antigo, e o nascimento da Idade Média. Grande parte do texto gira entorno dos sermões e livros do padre Agostinho de hipona que compara a invasão do império aos castigos ou testes bíblicos imputados a Jó, Abraão, Daniel e Noé. E, com essas premissas o autor reproduz texto do Santo Padre intitulado “A devastação de Roma”, mas, pautado que se a destruição não foi total é porque Deus ainda encontrou uma quantidade de justos no lugar.
                        De forma mais específica, é Julián Marías que apresentará ao leitor as ligações de Santo “Agostinho e a Filosofia”. Segundo o texto “Santo Agostinho é o primeiro grande filósofo dentro do cristianismo”. Essa parte do livro trabalha a biografia do padre descrevendo o seu local de nascimento “no Norte da África, perto de Cartago. Seu pai era pagão, sua mãe era cristã, e depois foi canonizada: Santa Mônica”. Percebe-se de Agostinho uma busca existencial que não começa com o cristianismo, mas sim no maniqueísmo que afirmava a eterna luta do bem contra o mal e culmina com o filósofo cristão descobrindo a intimidade. Uma intimidade diferente da encontrada em Sócrates, Platão e Aristóteles.
                        “A leitura alegórica da Bíblia” começa, justamente, com Santo Agostinho. Se o homem é uma das criações de Deus e, portanto, nele há vestígios da origem, as alegorias são a linguagem “cifrada sobre Deus e as verdades eternas”. Jean Lauand chama a atenção para uma característica própria dos medievais – a preocupação com os animais e números postos em trechos da Bíblia, e são vários momentos em que se cita serpentes, bois, pombas, dez, sete e outros. Toda essa preocupação resultatrá num tratado escrito por Rábano Mauro, no séc. IX e na interpretação dos nomes bíblicos de São Jerônimo. Chega ao ponto que essa preocupação vai além e se torna um cuidado também com questões gramaticais, fonéticas e etimológicas.
                     Terminada a patrística, em “Boécio e Cassiodoro: a transmissão da cultura aos bárbaros” assinala o nascimento da Escolástica, “um método que iria marcar por quase mil anos o pensamento ocidental”. Usando o instrumental aristotélico, os dois autores são mais radicais no racionalismo bíblico, mas vão influenciar um dos mais famosos pensadores da igreja, São Tomás de Aquino. É graças a Boécio que a cultura greco-romana não desaparece com as invasões bárbaras, pois, através da criação da escola, o pensador conseguiu transmitir um conhecimento racional cristão aos invasores e que se firmará com a organização dos mosteiros em Cassiodoro.
                      Oposto aos dois religiosos racionalistas, Roberto C. G. Castro apresenta “O Pseudo-Dionísio Areopagita: o ‘antídoto’ medieval ao racionalismo na teologia”.
                  Vários textos com o codinome Dionísio Areopagita, encontrados entre o final do século IV e início do século VI representam uma recusa no método de conhecer Deus pela razão. Para Dionísio a lógica que sai da linguagem humana não pode explicar a existência de Deus e, por conta disso, o máximo que o homem consegue são antropomorfismos.
                  Encerrando as dissertações, Josef Pieper explica ao leitor o “aprender o não dito” que seria achar falas importantes nas “fendas” dos textos antigos e principalmente no que toca a “criação”. Para tanto o autor recorre ao existencialismo das coisas e o conceito de verdade de Tomás de Aquino.
                      “Temas e figuras do pensamento medieval” é uma boa introdução para quem queira adentrar o mundo filosófico da idade média. Há vários trechos interessantes que valem a leitura dos capítulos por si só, mas alguns textos precisam da leitura dos autores medievais apresentados para  melhor entendimento: é o caso dos que estão em  “O elemento Negativo na filosofia de Tomás de Aquino”. Mas, antes de mostrar as dificuldades dessa parte é bom ressaltar as partes positivas do  livro.                     
                      Um aspecto muito bom da maior parte dos textos é a forma narrativa com que os autores trabalham antes de seguirem com suas dissertações. Isso facilita a leitura. São contadas história da separação do cristianismo do judaísmo e assimilação da cultura grega, o que é de suma importância para o entendimento do racionalismo de Agostinho, Boécio, Cassiodoro e Tomás de Aquino. E não são deixadas de lado a biografia de cada pensador e como alguns deles influenciaram  outros. Ainda é perceptível, de forma constante, uma briga, dentro do próprio cristianismo, entre os que só querem seguir a fé e os que querem conciliar fé e razão.
                       Parte que deveria ser de difícil compreensão é a questão da “intimidade” em Agostinho, mas, Lauand expõe de forma tão clara que, além de diferenciar o ser “íntimo” no padre com o dos pensadores antigos, pode-se, também, relacionar com os tempos atuais, quando as pessoas não conseguem ficar consigo mesmas por alguns minutos (todo instante o homem moderno precisa conversar, ver ou postar algo aos outros). A solidão é um monstro hodiernamente, o que para o religioso medieval era um prazer. Junte-se a isso que sem precisar ir na fonte é fácil entender as questões alegóricas da Bíblia e o nascimento da Escolástica.
                         Dito isso, a parte que requer mais leituras é o entendimento do negativo em Aquino. Nesse trecho o autor não consegue expor o dilema da criação e do criador ou mesmo da essência de verdade e mesmo com muitas leituras no capítulo fica a sensação de que é melhor ir ler mesmo esses dilemas na fonte.   De qualquer forma “Temas e figuras do pensamento medieval” é bom. Consegue resumir em poucas linhas uma filosofia que durou mais de mil anos e é atrativo porque antes, dos autores exporem os debates dissertativos travados à época, são colocadas narrativas e biografias, o que torna presto mais íntimo do leitor. Só uma pequena parte dos capítulos requer uma leitura mais atenciosa e, talvez, até das obras medievais mesmo, mas nada que atrapalhe a compreensão deste compêndio de João Lauand e companhia.




TEXTO I 

Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descedência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo possível, transforma-se em pedras. 

BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado). 

TEXTO II 

Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha. 

GILSON, E.: BOEHNER, P. História da Filosofia Cristã. São 

Paulo: Vozes, 1991 (adaptado). 

 

4. 3.42 (ENEM E2012/ c/adaptações) Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo. Diferente de Basílio Magno, Anaxímenes faz parte dos Pré-Socráticos. Assinale abaixo o principal traço desses filósofos. 

a) A cosmologia pré-socrática não é uma explicação racional e sistemática da origem das coisas. 

b) A cosmologia pré-socrática é uma explicação racional e sistemática da origem das coisas. 

c) A cosmologia pré-socrática é uma explicação ficcional sobre os mitos; 

d) A cosmologia pré-socrática é uma explicação racional da religião; 

e) A cosmologia pré-socrática narra a história de Sócrates; 

 


(1) No dia a dia usamos a palavra razão com diferentes sentidos: certeza, lucidez, motivo, causa. Ao dizermos “você tem razão”, admitimos que

(A) o outro está correto com relação a alguma coisa; 

(B) o outro está errado com relação a alguma coisa;

2) No dia a dia usamos a palavra razão com diferentes sentidos: certeza, lucidez, motivo, causa. Ao dizermos “ao dizermos “você está nervosa demais, perdeu a razão,”, admitimos que

(A)  razão é utilizada no sentido de lucidez;

(B) razão é utilizada no sentido de loucura;


3) No dia a dia usamos a palavra razão com diferentes sentidos: certeza, lucidez, motivo, causa. Ao dizermos “vou lhe contar minhas razões para o que fiz”, admitimos que


(A) significa os motivos que ELA não tem para ter feito algo;  


(B) significa aos motivos que ELA tem para ter feito algo;  



4) No dia a dia usamos a palavra razão com diferentes sentidos: certeza, lucidez, motivo, causa. Ao dizermos Também usamos o adjetivo racional para

(A) indicar obscuridade de ideias, resultado de esforço ingnóbil ou da pouca inteligência segundo normas e regras do pensamento e da linguagem.



(B) para indicar clareza de ideias, resultado de esforço intelectual ou da inteligência segundo normas e regras do pensamento e da linguagem.












Em síntese

1) Marque abaixo alguns sentidos que a palavra razão pode ter no uso cotidiano.

(A) certeza, lucidez, motivo, causa;

(B) dúvida, loucura, motivo, causa;

2) Infere-se do Texto acima:

(A) Percebe-se de Agostinho uma busca existencial que não começa com o cristianismo, mas sim no maniqueísmo que afirmava a eterna luta do bem contra o mal e culmina com o filósofo cristão descobrindo a intimidade. 

(B) Percebe-se de Agostinho uma busca material que não começa com o cristianismo, mas sim no maniqueísmo que afirmava a eterna luta do bem contra o mal e culmina com o filósofo cristão descobrindo a intimidade. 

3) Quais são as atitudes mentais opostas à razão?

(A) o ilusório, as emoções, a crença religiosa, o êxtase místico;

(B)  a verdade, as paixões,  a crença na ciência, o êxtase místico;

4) Quais as principais características da razão?

(A) não indica regras gerais; não possui validade;

(B) indica regras gerais, é universal e possui validade;


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Relatório - JUSNATURALISMO

 


 

1 INTRODUÇÃO

                 

 

                   O presente relatório diz respeito à pesquisa e estudos acerca do JUSNATURALISMO. Para tanto foi organizado um estudo bibliográfico em diversos autores racionalistas que vão se afastar da justiça natural advinda da divindade. Da teocracia foi lido partes das obras de Santo Angostinho e Santo Tomás de Aquino. Do movimento iluminista foram realizados estudos na obra de Hugo Grócio, Samuel Pufendorf e John Locke.

                  O objetivo do estudo é reforçar conceitos e autores que defendem a ideia do Direito natural e apontar suas diferenças com outros movimentos. O trabalho se justifica pela necessidade de apontar que há movimentos que acreditam que algo é nato aos homens e outros que acreditam que tudo é mera construção histórica humana. Com isso, quer-se lançar uma compreensão na realidade do direito.

                O intuituo é entender o movimento e lançar luz de forma bem mais sintetica àqueles que também se aventuram a querer entender esse debate que ja dura séculos.

               Assim, considerando-se a importância do tema e a relevância do debate, o estudo do JUSNATURALISMO é de absoluta pertinência. Entender o modo como os pensadores dessa vertente do direito defender seus pontos de vista poderá contribuir para a melhoria da jurisprudência.

               Como metodologia, foi feito pesquisa e estudo bibliográfico. Houve algumas limitações: o ideal seria mais tempo para uma segunda leitura mais aprofundada na literatura indicada. 

Numa rápida conceituação, jusnaturalismo ou o direito natural é a corrente de pensamento jurídico-filosófica que pressupõe a existência de uma norma de conduta intersubjetiva universalmente válida e imutável, fundada sobre a peculiar ideia da natureza preexistente em qualquer forma de direito positivo que possa formar o melhor ordenamento possível para regular a sociedade humana, principalmente no que se refere aos conflitos entre os Estados, governos e suas populaçõesde ação.

                   

2 UM ESTUDO NOS CONCEITOS DE INATISMO E DO RACIONALISMO

 

          O inatismo é bem parecido com o racionalsimo. Com poucas diferenças. Uma delas é a metafísica existente no primeiro. Para o inatismo, muito provavel o precursor é Platão, com sua teoria da ideias do mundo intelegível, o homem recebe suas ideias bem antes do nascimento, de forma nata.

         Em Ménor, Platão justifica a teoria da aprendizagem através do exemplo do escravo que ao ser questionado sobre determinadas figuras geométricas ele acaba acertando tudo - mesmo sem uma educação prévia daquilo. Esse exemplo é reforçado em Fédon quando Platão diz que “quando os homens são interrogados por alguém que sabe interrogar convenientemente eles declaram por si só tudo como de fato é”. Nisso a teoria da reminiscência é justificada porque para Platão a alma, anterior ao corpo, já traz consigo alguns conhecimentos da realidade.

          Essa alma que encarna trazendo consigo ideias de outro plano vai ser adotada por boa parte do cristianismo mais tarde. Nesse sentido, saber o que o justo, segundo essa tendência do nascimento com a coisa, é o inatismo.

         Já o racionalismo se afasta um pouco mais dessa encarnação, mas credita fé em algo chamado Razão.

Vários textos com o codinome Dionísio Areopagita, encontrados entre o final do século IV e início do século VI representam uma recusa no método de conhecer Deus pela razão. Para Dionísio a lógica que sai da linguagem humana não pode explicar a existência de Deus e, por conta disso, o máximo que o homem consegue são antropomorfismos.

                  Encerrando as dissertações, Josef Pieper explica ao leitor o “aprender o não dito” que seria achar falas importantes nas “fendas” dos textos antigos e principalmente no que toca a “criação”. Para tanto o autor recorre ao existencialismo das coisas e o conceito de verdade de Tomás de Aquino.

                      “Temas e figuras do pensamento medieval” é uma boa introdução para quem queira adentrar o mundo filosófico da idade média. Há vários trechos interessantes que valem a leitura dos capítulos por si só, mas alguns textos precisam da leitura dos autores medievais apresentados para  melhor entendimento: é o caso dos que estão em  “O elemento Negativo na filosofia de Tomás de Aquino”. Mas, antes de mostrar as dificuldades dessa parte é bom ressaltar as partes positivas do  livro.                     

                      Um aspecto muito bom da maior parte dos textos é a forma narrativa com que os autores trabalham antes de seguirem com suas dissertações. Isso facilita a leitura. São contadas história da separação do cristianismo do judaísmo e assimilação da cultura grega, o que é de suma importância para o entendimento do racionalismo de Agostinho, Boécio, Cassiodoro e Tomás de Aquino. E não são deixadas de lado a biografia de cada pensador e como alguns deles influenciaram  outros. Ainda é perceptível, de forma constante, uma briga, dentro do próprio cristianismo, entre os que só querem seguir a fé e os que querem conciliar fé e razão.

                       Parte que deveria ser de difícil compreensão é a questão da “intimidade” em Agostinho, mas, Lauand expõe de forma tão clara que, além de diferenciar o ser “íntimo” no padre com o dos pensadores antigos, pode-se, também, relacionar com os tempos atuais, quando as pessoas não conseguem ficar consigo mesmas por alguns minutos (todo instante o homem moderno precisa conversar, ver ou postar algo aos outros). A solidão é um monstro hodiernamente, o que para o religioso medieval era um prazer. Junte-se a isso que sem precisar ir na fonte é fácil entender as questões alegóricas da Bíblia e o nascimento da Escolástica.

                         Dito isso, a parte que requer mais leituras é o entendimento do negativo em Aquino. Nesse trecho o autor não consegue expor o dilema da criação e do criador ou mesmo da essência de verdade e mesmo com muitas leituras no capítulo fica a sensação de que é melhor ir ler mesmo esses dilemas na fonte.   De qualquer forma “Temas e figuras do pensamento medieval” é bom. Consegue resumir em poucas linhas uma filosofia que durou mais de mil anos e é atrativo porque antes, dos autores exporem os debates dissertativos travados à época, são colocadas narrativas e biografias, o que torna presto mais íntimo do leitor. Só uma pequena parte dos capítulos requer uma leitura mais atenciosa e, talvez, até das obras medievais mesmo, mas nada que atrapalhe a compreensão deste compêndio de João Lauand e companhia.

 

 

 

 

 

 

3 OS FILÓSOFOS JUSNATURALISTAS

 

3.1 OS TEOCRÁTICOS SANTO AGOSTINHO E SÃO TOMÁS DE AQUINO

 

                 Com o advento do cristianismo passando pela patrística e com e ápice na escolástica, Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino vão defender que há uma lei divina que rege toda a existência. O motor nesse caso é o Deus Cristão que criou tudo dando uma lógica predefinida a todos os seres. Para esses dois filósofos, o homem para organizar suas Leis, deve observar certa ordem cósmica regulada por uma lei eterna.

                A percepção do erro, para os filósofos JUSNATURALISTAS, é algo natural. O homem deve saber que não pode furar o olho do outro. É mais ou menos essa a ideia encontrada em alguns textos, principalmente dos teocráticos. Santo Agostinho, por exemplo, em um trecho de As Confições, relata uma cena onde ele entra no quintal e rouba algumas frutas. A reflexão que o santo padre faz de que aquele momento foi errado é algo de dentro. Algo nato. Nesse sentido, tanto o mal quanto o bem, segundo, esses autores, advém de outros planos, seja o céu ou seja o inferno.

                     Com o fim da patrística, em “Boécio e Cassiodoro: a transmissão da cultura aos bárbaros” assinala o nascimento da Escolástica, “um método que iria marcar por quase mil anos o pensamento ocidental”. Usando o instrumental aristotélico, os dois autores são mais radicais no racionalismo bíblico, mas vão influenciar um dos mais famosos pensadores da igreja, São Tomás de Aquino. É graças a Boécio que a cultura greco-romana não desaparece com as invasões bárbaras, pois, através da criação da escola, o pensador conseguiu transmitir um conhecimento racional cristão aos invasores e que se firmará com a organização dos mosteiros em Cassiodoro.

3.2 OS ILUMINISTAS GRÓCIO, SAMUEL PUFENDORF E JOHN LOCKE

 

                  O rompimento com a teocracia acontece com um racioanalismo diferente. Um mais científico ainda e dentro daquilo que irá se chamar Iluminismo. De qualquer forma, mesmo dentro do iluminismo há pensadores que vão defender o direito natural, é o caso de Hugo Grócio, Samuel Pufendorf e John Locke. Tudo isso agora de forma laica.

                É Grócio que inaugura com mais força um Direito livre da questão de Deus, mas ainda como algo natural ao homem. O Autor é famoso por sua frase que diz que “O Direitor Natural exisitiria mesmo que Deus não existisse, ou ainda que Deus cuidasse das coisas humanas.” Essa assertiva serve para contraria, para além dos medievais, alguns contemporâneos seus como Henrique e Samuel Coccejo, Leibiniz e Joan Cristina Von Wolf que afotarma uma posição mais racionalista aformando, categoricamente, que Deus é a fonte úlitma do Direito Natural.

             A defesa de Grócio segue uma lógica que já existe na natureza. A matemática, por exemplo, para o autor, os números aritméticos, pode-se citar aqui também, a geometria das coisas, segue uma ordem que, para o autor, não há arbitrariedade. Da mesma forma, para ele, o Direito segue tal dinâmica.

Portanto, é com essa premissa, que o pensador holandês vai influenciar o Direito Internaiconal, porque seguindo essa lógica de Direito Natural, todos os povos, em todos os tempos, gozam de algum ordem que os rege de forma idêntica.

               Grócio vai influenciar Samuel Pufendorf (1632-1694), jusfilósofo alemão. É perceptível que essa nova geração de JUSNATURALISTA não se afasta tanto da divindade. Isso, muito provavel acontece por conta da monarquia que ainda é forte em sua época, contudo, Pufendorf, alegando com o crescimento populacional, tenta retirar a mística do princípe e colocar a busca da justiça num outro lugar. O autor fala na reta razão. Toda a obra do autor será nessa sentido e o prinicipal livro é De officio hominis et civis, de 1691. Contudo, numa leitura mais atenta da obra do filósofo alemão, é observável o desejo e da necessidade do homem está na cidade afim de que ele não se torne um animal, porque a metrópoles irá regular os impulsos mais naturais humanos através do magistrado civil.

            Por fim, em seu ENSAIO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO, John Locke (1632-1704) trabalha as origens das ideis humanas, o autor tenta apontar outro caminho acerca das origens das ideias e cosecutivamente da vontade de justiça. Vale lembrar que os inatistas acreditavam na reminiscência da alma e os racionalistas na reta razão como algo nato. Nesse caso, entende-se de forma implicíta da obra do autor, que a justiça, a lei, é algo adiquirido pela experiência.

           Muito preocupado com a questão da paz, Locke escreve um TRATADO SOBRE O MAGISTRADO CIVIL (1689). O objetivo do autor é apontar as melhores regras para se viver em  um estado de paz na sociedade.      


 

4.      RESULTADOS E DISCUSSÃO ACERCA DO RELATÓRIO

 

                   Com o objetivo de estudar e reforçar conceitos e autores que defenden a ideia do Direito natural e apontar suas diferenças com outros movimentos ou até mesmo dentro dessa linha filósofica, foram mobilizadas algumas semanas de leitura nas obras que tratam d temática. De início foi escolhido Curso de Filosofia do Direito de Eduardo C.B. Bittar e Guilherme Assis de Almeida. O livro é um copilado de toda a filosofia ocidental. Foram duas semanas de muito estudo, mas alguns livros já era a segunda leitura é o caso de CONFISSÕES de Santo Agostinho, Ensaio sobre o Entendimento Humano de John Locke; outros houve um pouco mais de dificuldade por se tratar de primeira leiura, cita-se Grócio e Pufendorf.

                O resultaod que se chega acerca do JUSNATURALISMO é que é um movimento um pouco enfraquecido nos dias atuais, mas que a lógica proposta por cada autor é de suma imortância e merece ser levada em consideração mesmo nesses tempos.

             Cada Filósofo, do seu jeito, tenta provar que o Direito é algo natural ao homem, uns usando metafísica, um plano paralelo, seja o mundo das ideias, seja o céu – é o caso de Platão, os cristãos patrísticos e escolásticos; outros já focam mais na razão como algo que guia o homem para a decisão mais justa, é o caso de Grócio e Pufendorf; outros já acreditam mais na experiêrncia que o caso de John Locke.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CRONOGRAMA – 25/08/2020 a 09/09/2020 – RELATÓRIO JUSNATURALISTAS

 

25 A 28 DE AGOSTO DE 2020

 

 

SEMANA DE LEITURA DE ALGUNS DE MENON E FEDON

 

 

31 A 4 DE SETEMBRO DE 2020

 

SEMANA DE LEITURA DE ALGUNS PATRÍSTICOS E ESCOLÁSTICOS

 

07 A 09 DE SETEMBRO

 

LEITURA DE ALGUNS RACIONALISTAS E ILUMINISTAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

Bittar, Eduardo Carlos Bianca Curso de Filosofia do Direito / Eduardo C. B. Bittar, Guilherme Assis de Almeida. – 11. ed. – São Paulo: Atlas, 2015.

 

Ética e aprendizagem em Platão. Disponivel em <https://isaacsabino.blogspot.com/2018/01/atividade-etica-e-aprendizagem-em-platao.html> Acesso em 30 de agosto de 2020

 

 

Reflexões sobre o jusnaturalismo. Disponível em <https://jus.com.br/artigos/39884/reflexoes-sobre-o-jusnaturalismo#:~:text=105%20)-,O%20jusnaturalismo%20ou%20o%20direito%20natural%20%C3%A9%20a%20corrente%20de,possa%20formar%20o%20melhor%20ordenamento> Acesso em 28 de agosto de 2020

 

Os conceitos das correntes racionalistas e empiristas: uma crítica leiga à luz da atualidade

Disponível em < https://isaacsabino.blogspot.com/2018/05/os-conceitos-das-correntes.html> acesso em 02 de setembro de 2020

 

O primeiro momento entre fé e razão no pensamento medieval: uma resenha de “Figuras do pensamento medieval” Disponível em <https://isaacsabino.blogspot.com/2018/11/o-primeiro-momento-entre-fe-e-razao-no.html> acesso em 04 de setembro de 2020

 


sábado, 8 de fevereiro de 2025

A questão da verdade na Filosofia - Síntese Por Isaac Sabino

Por Isaac Sabino

               Na busca da “verdade” há a necessidade de se afastar do mundo físico e se situar no espiritual no intuito de se alcançar o todo. A “verdade” é o segredo do ponto de vista metafísico e gnosiológico e, até por conta disso, não há a necessidade de se insistir na “sua”existência”.
                  Na Modernidade essa concepção está disposta no idealismo, pragmatismo, relativismo, niilismo e voluntarismo. Dessas tendências, destaque para Descartes que acredita que as coisas se iniciam na mente e Kant que continua colocando a “verdade” no sujeito. Essa postura será chamada de idealismo por Bruno Sproviero que a critica por ser um sistema fechado que não aceita a verdade nas coisas.
                  Já a “verdade” do pragmatismo trata das questões práticas, mas não Sabe lidar com teóricas como as que envolvem a Matemática e que leva ao voluntarismo onde a verdade fica vinculada ao império da vontade.
                   Duns Scotus, filósofo medieval, afirmava que essa “vontade” era divina, mas que a humana também pode prevalecer. Esse “voluntarismo” também será encontrado em Schopenhauer e Nietzche. Schopenhauer, por exemplo, afirma que a vontade é irracional e que o homem  não  consegue se libertar do prazer e da dor, nisso, o filósofo inaugura o pessimismo que é seguido por Nietzche e seu niilismo.
                  Na contemporaneidade, a verdade não é tão buscada porque o homem  se volta para a epistemologia, mas, quando se tira a problemática da “verdade” do campo ontológico é preciso afastar todo um  debate que incluiria Aristóteles e Tomás de Aquino.
                  Tomás de Aquino que leu Aristóteles  com maestria, só pode processar a verdade dentro de um contexto ontológico onde o criador é de ordem divina e, por conta disso,  dificilmente há a possibilidade da criatura reter as verdades daquele que cria, por completo. Seria como desejar que um animal entendesse a criação de uma casa que saiu do intelecto humano.
                  Embora Santo Agostinho tenha chegado a afirmar que o “verdadeiro é o que é”, a opinião coincidindo com a de alguns filósofos antigos, foram os sofistas que exageraram ao relativizar tudo e banalizar a “verdade” em cada ser e é só com Aquino que essa busca ontológica é respeitável de novo quando ele disserta que a coisa para ser verdadeira precisa está em acordo com a mente. O problema dos sofistas é a desconsideração de outras mentes.
                  É verdade que se a “verdade” estivesse nas coisas, toda frase/sentença/oração seria verdadeira, porque, estando fora do “ser” não precisariam estar em acordo com os intelectos. Para Tomás não é bem assim, pois, faz-se necessário haver significado intelectual entre os interlocutores. Desse modo, a “verdade” está num combinado entre as mentes e em parte nas coisas.
                  Para o filósofo medieval a mente humana cria coisas que passam a existir em outros intelectos, já as coisas naturais que não pertencem a criação humana, são da vontade de uma outra mente que é a divina, ou seja, as coisas da natureza dependem da mente divina e mesmo com conceitos diversos da  “verdade” Agostinho, Hilário e até Avicena convergem para dizer que a coisa criada depende do intelecto do ser criador.








REFERÊNCIAS


CAMELLO, Maurício José de Oliveira. A questão da verdade na Filosofia. Theoria – Revista Eletrônica de filosofia

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. – 5. Ed. -São Paulo: Atlas, 2003










1. O que é a ignorância? Por que ela é difícil de ser percebida por nós?



(A) é o saber de tudo. É fácio de perceber porque basta prestar atenção no mundo a nossa volta;


(B) é o não saber. É acreditar nas nossas crenças e opiniões sem questionar o mundo ao nosso redor;




2º Por que a dúvida, a decepção e o espanto podem despertar o desejo da verdade

(A) Porque nos fazem querer saber o que não sabíamos

(B) Porque não nos fazem querer saber o que não sabíamos


3º Quais são as dificuldades que enfrentamos quando buscamos a verdade?

(A) A primeira dificuldade provém da crença de que os veículos e formas de informação; A segunda dificuldade provém da propaganda; A terceira dificuldade provém da descrença na possibilidade de haver verdade na política;

(B) A primeira dificuldade provém da descrença provocada pelos veículos e formas de informação; A segunda dificuldade provém da propaganda; A terceira dificuldade provém da descrença na possibilidade de haver verdade na política;


4º Quais são os dois tipos de busca da verdade?


(A) O primeiro é o que nasce da decepção; O segundo é o que nasce da deliberação ou decisão de não aceitar as certezas e crenças estabelecidas;

(B) O primeiro é o que nasce do acerto; O segundo é o que nasce da deliberação ou decisão de não aceitar as certezas e crenças estabelecidas;



5º O que é a “dúvida metódica” de Descartes?


(A) Trata-se da decisão de Descartes de aceitar todos conhecimentos existentes em sua época e os seus próprios, declarando que aceitaria um conhecimento, uma ideia, um fato ou uma opinião que, não precisaria passar pelo crivo da dúvida, se revelassem indubitáveis para o pensamento puro.


(B) Trata-se da decisão de Descartes de submeter a um exame crítico todos os conhecimentos existentes em sua época e os seus próprios, declarando que só aceitaria um conhecimento, uma ideia, um fato ou uma opinião que, passados pelo crivo da dúvida, se revelassem indubitáveis para o pensamento puro.



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1ª O que é dogmatismo?

(A) Dogmatismo é uma atitude natural e espontânea que temos desde crianças. É nossa crença de que o
mundo existe e é exatamente da forma como o percebemos.

(B) Dogmatismo é uma atitude artificial e implantada que temos desde crianças. É nossa descrença de que o mundo existe e é exatamente da forma como o percebemos.



2º Qual a concepção contemporânea. Alétheia

(A) é de que a ‘verdade’ em grego. Literalmente, quer dizer ‘não esquecido’ e, por extensão, ‘não escondido’.Ela opõe-se ao que está dissimulado, ao que parece. mas não é. A alétheia é a verdade de um ser que se manifesta à nossa visão.

(B) é de que a ‘verdade’ em latim. Refere-se à verdade de um relato, de um discurso. Está, então, na linguagem, em sua precisão e correção. Seu oposto é a falsificação, a mentira.


3ª INFERE-SE DE FORMA EXPLICITA DO TEXTO "A questão da verdade na Filosofia".



(a) Na contemporaneidade, a verdade não é tão buscada porque o homem  se volta para a epistemologia, mas, quando se tira a problemática da “verdade” do campo ontológico é preciso afastar todo um  debate que incluiria Aristóteles e Tomás de Aquino.

(b) Na contemporaneidade, a verdade é buscada porque o homem  se volta para a epistemologia, mas, quando se tira a problemática da “verdade” do campo ontológico é preciso afastar todo um  debate que incluiria Aristóteles e Tomás de Aquino.


4º O que significa pragmatismo?


(A) A palavra pragmatismo deriva do latim pragmatikós, que quer dizer ‘o que é próprio da ideia, o que é não precisa ser eficaz’. Dizer que uma teoria é pragmática é dizer que seu critério de verdade não é teórico, mas prático:

(B) A palavra pragmatismo deriva do grego pragmatikós, que quer dizer ‘o que é próprio da ação, o que é eficaz’. Dizer que uma teoria é pragmática é dizer que seu critério de verdade não é teórico, mas prático:



5ª De acordo com o texto acima, quais as concepções de VERDADE NA MODERNIDADE?

(A) idealismo, pragmatismo, relativismo, niilismo e voluntarismo.

(B) idealismo, empirismo, relativismo, niilismo e voluntarismo.










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