terça-feira, 13 de outubro de 2026

O assédio moral no ambiente da escola pública

 



 

Isaac Sabino CARDOSO1

 

                  A ideia é ser sarcástico, promover críticas sem fundamento, formar grupos para zombar e isolar, fazer uma campanha difamatória, seja declarada ou subentendida, com o objetivo de fazer da vítima uma pessoa rejeitada. Isso tudo é o que se chama de assédio moral. Quem já trabalhou em ambientes escolares sabe muito bem o que é se sentir mal psicologicamente quando não se é aceito pelo quadro de colegas e não encontra dos superiores mediação alguma. O que, talvez, algum servidor não saiba é que essa situação se configura crime.

               Quem trabalha na educação pública conhece bem a formação de grupos que controlam a escola mantendo um diretor ou um coordenador para fins de regalias em horários, faltas sem justificativas legais ou até mesmo permutas irregulares. Como o ambiente é de pessoas intelectuais, a saída é isolar aquele professor que não se encaixa no “sistema”. Nessa situação são comuns casos de sorrisos sarcásticos; críticas difamatórias, felicitacões de aniversário a todos, menos ao que se pretende excluir; cobranças excessivas da quantidade de questões em cadernos de provas do professor rejeitado; postagens, em mensageiros instatâneos, que não correspodendem ao combinado em regra, mas que são aceitas de uns e proibidas aos que não se adequam ao grupo dominante; em provas confeccionadas por disciplina para a semana de avaliação, sempre a escolhida é a do simpatizante da direção; além de comentários homofóbicos há situações mais graves que é a de grupos de professores que se levantam da reunião pedagógica quando o colega isolado vai falar.

            O problema aqui é que se esse comportamento se torna repetitivo, para além dos colegas que praticam o dolo, se o Núcleo Diretor não fizer nada para combater tal prática, indenizações pelo assédio podem ser requeridas e, para tanto, a legislação a ser usada é a própria Constituição de 88 que traz no artigo 1º, inciso III, um dos fundamentos que é a dignidade da pessoa humana. Outra lei que se enquadra na erradicação e prevenção do assédio moral é a Lei de Improbidade Administrativa, especialmente no artigo 11 que diz: Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade[...]

                Embora não esteja expressamente em Lei, o assédio moral não é tolerado pelo judiciário.

               A situação para quem gere a coisa pública piora quando o assediado sofre com comentários racistas, homofóbicos, direcionados, com registros em mensageiros instantâneos; Isso porque não há necessidade de testemunhas, haja vista haver prova material. Aqui se fala da hierarquia vertical que se isenta quando os colegas horizontais estão praticando o assédio. Às vezes o núcleo diretor, se omite, pois tem interesse, porque quer forçar o servidor isolado a sair do serviço, seja por uma licença sem vencimentos, ou até mesmo o pedido de exoneração. Tudo se agrava mais ainda se os horários do servidor forem feitos de forma a prejudicá-lo; quando ele é taxado como professor que faz tudo errado, isso diante dos colegas, de forma a constragê-lo; é impedido de receber informações importantes para o desempenho do seu trabalho, quando é excluído dos grupos de avisos.

                  Portanto, a perceber, são três situações de assédio moral no ambiente escolar que podem inscindir em indenizações: uma horizontal, de colegas para colegas, outra vertical – do núcleo diretor para o professor assediado e a última é quando a direção se omite vendo o professor sendo assediado e não toma nenhuma medida mediadora. Esses problemas podem ser evitados com um olhar atento da Gestão à legislação vigente ou na observação de casos que geraram precedentes indenizatórios. O ideal são formações a todo o quadro escolar e, principalmente, aos diretores, ou que, para ocupar esses cargos, o servidor público tenha no mínimo uma graduação em Administração Pública. Fora isso, o ambiente escolar flerta com o perigo de ter que indenizr por assédio moral.

 

 

 

 

            

           

 

         REFERÊNCIAS

 

Assédio moral no serviço público é considerado improbidade. Disponível em <https://www.conjur.com.br/2013-nov-11/stj-assedio-moral-servico-publico-considerado-ato-improbidade#:~:text=Embora%20trabalhadores%20da%20iniciativa%20privada,o%20ass%C3%A9dio%20sexual%20como%20crime.> acesso em 09 de novembro de 2020

Assédio moral no serviço público: a inexistência de legislação Disponível em < https://andressarmatos.jusbrasil.com.br/artigos/407792520/assedio-moral-no-servico-publico-a-inexistencia-de-legislacao> acesso em 09 de novembro de 2020

 

 

CARDOSO, Isaac Sabino. Mudanças na organização e na gestão do trabalho na escola e Concepções e processos democráticos de gestão educacional: o problema da apropriação falsa dos nomes. Disponível em <https://isaacsabino.blogspot.com/2018/01/mudancas-na-organizacao-e-na-gestao-do.html>. acesso em 22 de janeiro de 2020-01-22

 

 

LIBÂNEO, José Carlos. O sistema de organização e gestão da escola In: LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola - teoria e prática. 4ª ed. Goiânia: Alternativa, 2001.

 

 


 

 

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Um resumo acerca do Capítulo IV dAs novas condições de subalternidade

 


O presente resumo versa sobre o capítulo “dAs novas condições de subalternidade” de Dias, 2012. Para tanto é usada a técnica da leitura imanente. Nisso, o primeiro passo, depois de uma leitura superficial foi contar cada parágrafo. Os primeiros sete parágrafos trazem um histórico das lutas de uma classe pouco vista: os subalternos. Em seguida, é trabalhado o conceito de subalterno. Para iniciar o próximo tópico, o autor cita Galeano, 1997, p. 115. “Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçador continuarão glorificando o caçador”. Depois do citado o autor continua conceituando e diferenciando a burguesia e o operariado. A partir desse momento, em parágrafos maiores, o autor começa a conceituar uma classe de indivíduos que, diferente da burguesia, por estarem a margem do Estado, é subalterna. Lá pelo parágrafo 11 o artigo, parafraseando Gramsci, argumenta que pela ausência de uma consciência ideológica formada, os subalternos não conseguem se unificar. Parafraseando Dias (2012, p. 72) na pagina 13 o conceito de subalterno fica mais claro como “...aquele que não pode falar, que não tem voz”. A parte 15, 16 e mais algumas apresenta o problema do senso comum existente entre os subalternos que o contraditório entre a ação e o ideal. Para Gramsci, o homem comum acredita que o mundo fora de si é uma criação da dividade e não consegue enxergar a construção ideológica de que detem o poder dominante agindo. É uma dialética entre materialista e raconalistas que perpassa Tales de Mileto contra Platão.

                    Em “Filosofia da praxis como a teoria dos grupos subalternos”, parágrafos a partir do 26, é reforçado a adesão de Gramsci a “filosofia da praxis” e consecutivamente ao materialismo histórico, porque é através desse andar material e histórico que as classes vão adquirindo consciencia de sua existência e, por alguns erros de cálculo da classe dominante – nas crises – pode-se tomar medidas políticas corretas.

                    O texto é uma resposta a diversas perguntas como O homem subalterno nasce quando na história? O que é o materialismo? Qual a diferença entre o materialismo e o idealismo? Qual o conceito de subalterno? Quais as revisões de Gramsci acerca do pensamento de Marx, de Groce e de Bukharin? Quais as ligações do Materialismo com as religiões? Qual a reação da direita dominante quando subalternos começam a ter consciência de si? O que é a Filosofia da Práxis? A Filosofia da Práxis é capaz de explicar o movimento dialético da luta de classes?

                 A sequência lógica do texto de Anita Helena é marcada por elementos coesivos referenciais que retomam explicações de parágrafos anteriores. Há alguns elementos coesivos catafóricos e pronomes relativos, mas a maior parte das introdções dos parágrafos é marcada por substantivos. No oitavo parágrafo tem-se “A categoria”; no nono “Del Roio”; no onze “os grupos” e no doze “A conscência”. Em certo momento, a autora usa Gramsce apud Marx  contraposição a Feuerbarch e Croce, sendo que o primeiro não pontua um materialismo que seja histórico e com base na práxis.

            Com um advérbio “já” em meados do capítulo, através de Marx com a 1ª das “Teses contra Feuerbach” o cenceito de Filosofia da Práxis é melhor conceituado e traduzido como a aplicação da atividade filosófica na prática contidiana.

             Já concluindo o capítulo “A Filosofia da práxis como a teoria dos grupos subalternos” são usados Cadernos do Cárcere para esclarecer a história dos subalternos da Itália como uma consciência que deve se articular de forma clara e com passos descritos no parágrafo 28. Acontece muito com o uso do termo “práxis”. Depois, temos elementos catafóricos e verbos iniciando os últimos parágrafos. Bem no fim, as conclusões são marcadas por substantivos iniciandos os parágrafos, acontece diversas vezes com “Os fundamentos”, “O Termo”; “O “espírito””.

             Fazendo um resumo de cada parágrafo de forma a formar um pequeno texto, em um único parágrafo, que remeta as vinte e dezeseis páginas, tem-se: que o conceito de classe social passa por mais um adendo a partir de Gramsci com teses que marcam a burgesia que conta com a organização estatal para melhor unificação de si, o proletarido que é bastante dividido e dentro dessa divisão, o pensador italiano traz à tona “os subalternos”. Destaque para o caderno 25. De 1934. . Há uma escolha por Marx para explicar o materialismo histórico e o tempo espacial campesino e urbano para mostrar duas classes que são operariados mas disputam entre si que é o caso do homem do campo aveso ao funionário do Estado e o funcionário do Estado que se acha elite e menospreza o campezino, mas ambos pertencem a mesma classe social. Vale ressalta que a autora deixa claro, através de gramsc, que a classe mais a margem não tem uma consciência uma e, por isso, não entende sua própria existência no sistema. Sem falar que a classe dominante usa de diversos meios para que isso se perdure: do texto – um exemplo – é a religião. A saída de tal situação subalterna é colocada em capítulo próprio tendo como palavra chave a “práxis”.

 

 

REFERÊNCIAS

 

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Lessa, Sérgio. O revolucionário e o estudo : por que não estudamos? / Sérgio Lessa.– São Paulo : Instituto Lukács, 2014. 120 p.

 

Schlesener, Anita Helena Grilhões invisíveis: as dimensões da ideologia, as condições de subalternidade e a educação em Gramsci/ Anita Helena Schlesener. Ponta Grossa: Ed. UEPG, 2016. 196 p.





UMA RESENHACRÍTICA DO TEXTO “MULTICULTURALISMO E DIREITOS HUMANOS” DE MARCUS VINÍCIUS REIS

                                                                                                                            Isaac Sabino CARDOSO1

 

 

1.    REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

 

Reis. Marcus Vinícius. MULTICULTURALISMO E DIREITOS HUMANOS. Disponível em <http://www.senado.gov.br/senado/spol/pdf/ReisMulticulturalismo.pdf> Acesso em 04 de dezembro de 2020

 

2.    CREDENCIAIS DO AUTOR

 

                  Marcus Vinícius Reis é Advogado, Mestreem Economia pela UnB, Máster em Derechos Fundamentales pela Universidad Carlos III de Madrid (Espanha); Estudou Temas de Segurança e Defesa pela National Defense University/CHDS (Washington, EUA); Certificado em Vitimologia de Crime de terrorismo pela UC3M (Madri, Espanha) e em Combate ao Crime de Terrorismo e de Ódio peloPort of Tacoma Patrol and Maritime Intelligence Suport Team (Seatle, EUA). Finalizou o Certificate in Terrorism Studiespela St. Andrews University (Escócia, UK), com foco em proteção a infraestruturas críticas. Palestrante nacional e internacional (Tunísia, Colômbia e Argentina) acerca de temas envolvendo áreas do Direito, Segurança Pública e Defesa. Coautor do Livro TERRORISMO: CONHECIMENTO E COMBATE, pela Editora Impetus, 2017, a primeira referência brasileira sobre o tema.

 

3.         CONHECIMENTO

                  “Multiculturalismo e Direitos Humanos” é um artigo que trata da cidadania a ser exercida a partir do conhecimento dos Direitos Humanos respeitada as diferentes culturas. O texto resulta da experiência histórica e pesquisas bibliográficas do Advogado Marcus Vinícius Reis no estudo do multiculturalismo com foco nos Direitos Humanos. O objetivo encontrado no próprio autor “é conceituar os Direitos Humanos a partir de outros autores usando alguns momentos históricos que ele dividirá e chamará de “fases” que ao todo são quatro”.

4.    RESUMO

                      O artigo começa mostrando o conceito e quando surge “os Direitos Humanos na cultura ocidental moderna”, contudo, é no multiculturalismo que Reis chama a atenção para o que deveria ser o foco, mas que nos últimos anos tem sido relegado a plano ”secundário” graças ao globalismo com seu braço neoliberal. Percebe-se a seguinte divisão no trabalho do autor: a introdução apresenta o conceito de Direitos Humanos apontando um histórico dividido em quatro fases, logo em seguida, no capítulo II, é adentrado no Multiculturalismo com apresentação de suas virtudes e vícios.

                     A primeira fase tem início a partir da Revolução Francesa e independência dos Estados Unidos com a positivação dos direitos. A segunda é a da generalização agregando posições sociais, de raça, credo, origem etc. Já a terceira, ocorre ao mesmo tempo da segunda que é o fenômeno da internacionalização dos direitos humanos. Por fim, a quarta e atual fase histórica é a especificação que vai focar em grupos como deficientes físicos, mulheres, imigrantes, refugiados, crianças, idosos etc.

                    Em “Multiculturalismo”, o autor começa esclarecendo as diferenças entre multiculturalismo, pluralismo, universalismo e relativismo e dando destaque para o pluralismo por ser uma das características, segundo ele, das sociedades livres como no caso do Brasil que tem essa pluralidade inserida no preâmbulo de sua Constituição.

                      Ao apontar o artigo 5º da Carta Magna que trata da liberdade de pensamento, de opinião, de culto, de associação, de ofício, de opção sexual, de casamento, de partido político etc, ele questiona se essa realidade existe mesmo no contexto brasileiro e faz até certa crítica alegando que esse comportamento deveria ser tomado por uma liberdade moral e ética, o que ocorre, na verdade, é algo imposto pela lei.

                      Próximo dos parágrafos finais é englobado esse pluralismo dentro do multiculturalismo que também trata da convivência em um país, região ou local de diferentes culturas e tradições. Nesse sentido o multiculturalismo é pluralista. O autor percebe dois problemas: um de cunho relativista e outro de forma universalista. No relativismo tudo é aceito; já no universalismo, pequenas culturas correm o risco de não serem respeitadas.

                      Por fim, o autor enxerga perigo, no respeito a algumas particularidades culturais locais, o que seria o relativismo. Segundo ele, as mutilações que ocorrem em alguns países são difíceis de conciliar com o que demanda os Direitos Humanos.

5.         CONCLUSÃO E CRÍTICA               

                       “Multiculturalismo e Direitos Humanos” seria um texto inovador não fosse um discurso repetido numa época em que virou moda defender algo que dificilmente alguém vai ser contra. O tema dos Direitos Humanos envolvendo o respeito às diversidades culturais vem sendo tratado com intensidade nos últimos anos. Contudo, no caso do Brasil (não se encontra no texto também), estudos estatísticos que comprovem uma realidade de preconceito e discriminações disseminadas por conta de questões culturais. O autor até diz que aqui é um país plural e, num olhar superficial, percebe-se uma convivência pacífica entre os diferentes mesmo. Esse é o primeiro problema do artigo.

                      O segundo está no parágrafo em que o advogado, usando como referência outros autores, critica o Globalismo com seu neoliberalismo. Fica subentendido durante toda a leitura do texto uma defesa as mais variadas culturas, logo, é incoerente criticar qualquer uma na sua existência, seja o socialismo ou mesmo o movimento liberal. O problema de qualquer defesa radical de algo, pode até ser mesmo os Direitos Humanos, é que implica eliminar outro algo ou seja, outra cultura. Outra incoerência é a crítica do relativismo por aceitar o particular e do universal por eliminar o local. É como dizer que pode e não pode ao mesmo tempo.

                       Quando indaga sobre a garantia ou não do artigo 5º do texto Constitucional funcionando no país, o autor cai no campo da opinião, pois se não houvesse a tomada de decisão em obediência a Lei – com a disseminação do preconceito e da discriminação de forma desenfreada, o país já teria eclodido num conflito incontrolável, insuportável e mortal. De um lugar assim todos já teriam se afastado.

                       Mas há coisas interessantes no texto: o estilo, por exemplo, é uma dessas: o texto é marcado por ser conciso e simples. A linguagem é de fácil leitura, clara. A divisão das fases em que surge e continuam “Os Direitos Humanos” ficou de fácil entendimento até para um leitor leigo no assunto. O Autor, também, se mostra humilde quando alega não ver saída ou conciliação entre algumas culturas locais e “Os Direitos Humanos”.

                       

 

 

 

         REFERÊNCIAS

Marcus Vinícius Reis. Escavador. Sobre Pessoa Física. Disponível em <https://www.escavador.com/sobre/3944025/marcus-vinicius-reis> Acesso em 04 de dezembro de 2020[.

 

 

Silva, José Maria da. Apresentação de trabalhos acadêmicos: normas e técnicas/José  Maria da Silva , Emerson Sena da Silveira. 5. Ed. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2009

 

 


  

sábado, 3 de outubro de 2026

Os conceitos das correntes racionalistas e empiristas: uma crítica leiga à luz da atualidade






1.         Racionalistas VS Empiristas: um debate atual

                   Quem nunca se pegou debatendo sobre a origem ou continuidade do ato de conhecer. Noutro dia eu entrei num fórum desses que debatia, justamente, este tema, a partir de um texto de Mário Sérgio Cortela – “Nós não nascemos prontos”. O que eu deixei passar e alguns colegas ali também, é que tal assunto é dialético, histórico, com reflexões fortes e com debates intensos na modernidade entre René Descartes e John Locke.
                  Na ocasião do debate eu havia dito:
“Mário Sérgio Cortela credita a culpa do comportamento atual dos jovens em nós professores quando ditamos frases de cunho negativo a eles. “Nós não nascemos prontos”, Eu concordo, em partes, porque creio em algo que já nasce com a gente e amadurece com o tempo: sentir a diferença entre o bem e o mal quando aplicados a nós ou outrem, por exemplo.”. 
                   Embora eu saiba que haja certa religiosidade em quem acredita que o homem já nasce conhecendo coisas (É o conhecimento inato defendido pelo Matemático e filósofo francês René Descartes) eu fui opinião vencida, porque eu tinha me esquecido de John Locke, o principal autor contrário a Descartes.
                   René Descartes é metafísico porque acredita que alguma ideia do homem já nasce com ele (homem) – é o caso da noção de espaço. A origem desses pensamentos, para o autor advém de Deus. Há resquícios de Deus no homem e por isso o homem, através da alma, já nasce sabendo coisas.
                   O problema de Descartes, dito por Locke é que se houvesse ideias inatas, então todos os seres humanos, de todas as origens e idades, inclusive as crianças pequenas, deveriam ter as mesmas ideias, o que não é o que podemos comprovar pela observação.
                   Realmente, é uma opinião forte e difícil de ser refutada. E é com ela que o homem moderno vai criar, junto à metafísica (Deus e alma), uma nova consciência que ver o homem como “uma folha de papel em branco, estando sem nenhuma marca antes da experiência”.                Contando com Cortela e a Tutora do curso, a exceção da minha pessoa, todos os outros participantes concordaram que o homem e seus conhecimentos podem ser construídos sem a interferência de um Deus, de uma alma ou de qualquer coisa que argumente a favor de um conhecimento que já nasça com o homem.


2.         Deus: o racional e o inatismo em Descartes

                   Depois de sair da tutoria de seus mestres e após viajar por outras terras, Descartes se ver duvidando de tudo aquilo que ele aprendera: da história filosófica, da língua, dos costumes. Subentende-se do autor que tudo isso foi colocado nele como uma verdade e que, só na sua maturidade, ele percebe como ilusório. A premissa de crer em tudo como falso leva a conclusão de que o que fala o próprio autor pode ser considerado ilusório por outros pensadores. Descartes é humilde em reconhecer tal situação. Mas, para não incorrer no erro, o filósofo propõe um método baseado na razão. O método é dividido em quatro partes:

O primeiro era o de jamais acolher alguma coisa como verdadeira que eu não
conhecesse evidentemente como tal; isto é, de evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção,[...]
O segundo, o de dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quantas possíveis e quantas necessárias fossem para melhor resolvê-las.
O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos,[...]
E o último, o de fazer em toda parte enumerações tão completas e revisões tão gerais, que eu tivesse a certeza de nada omitir (Descartes. P. 13 adaptado)  

                   O método cartesiano é revolucionário porque exige que a partir de então qualquer teoria siga um caminho, sempre com a proposta de se aproximar da verdade eliminando partes frágeis do argumento. É o começo de algo mais próximo da ciência. O pensador vai além em suas pesquisas e ao descobrir que os signos humanos usados para comunicação possuem problemas, ele conclui que a língua universal é aquela encontrada na matemática. Por conta deste método, do desejo da verdade e de sua proximidade com os números, o matemático francês se enquadra no grupo dos racionalistas.
                   Racionalista porque quando o filósofo francês descobre que a maior parte do seu conhecimento é falsa e no momento em que ele parte para buscar o seu “eu” verdadeiro, ao descobrir-se racional, o pensador conclui com o inatismo, pois a noção ou moral verdadeira já existiam nele e só quando ele começou a questionar, através de um senso ou vontade da verdade é que acontece a descoberta.  É por conta disso que o filósofo matemático propõe uma metafísica que dita que as ideias advêm de Deus e estão transcritas na alma. Para o autor, o “penso” é a alma. A verdade sendo a razão já estava dentro dele e foi contaminada pela falsidade, mas alguns costumes resistiam.


3.                                               Uma proposta contrária ao Racionalismo e Inatismo. John Locke apresenta o empirismo
                   Mesmo lutando para se livrar de um “eu” que Descartes acreditava não ser ele, o pensador não conseguiu inovar em dizer de onde vem o conhecimento, e por conta disso, só acabou reforçando uma ideologia monárquica que já pregava serem eles (reis) uma descendência direta de Deus.  Essa postura fragilizou a obra do autor e não tardou, o médico inglês e filósofo John Locke apontou uma série de argumentos que negavam o racionalismo e o inatismo de René Descartes.
                   Para negar o racionalismo, John Locke lança o empirismo. A proposta deste movimento é que todo e qualquer tipo de conhecimento humano (o autor usa o termo ideia) começa do zero a partir de cada nascimento. É através dos sentidos e das experiências que o homem vai somando uma coisa com a outra até chegar aos entendimentos necessários à vida diária.  Logo nas suas primeiras falas, o filósofo inglês usa um argumento muito forte ao dizer que se existisse uma entidade buscando se descobrir, ou seja, a razão, querendo mostrar as verdades já existentes dentro do homem, todos estariam de posse da verdade – da criança ao idiota. Ele conclui dizendo que isso não acontece na realidade
Não se encontrou naturalmente impressas na mente porque não são conhecidas pelas crianças, idiotas etc. Em primeiro lugar, é evidente que não só todas as crianças, como os idiotas, não possui delas a menor apreensão o pensamento.    (Locke. P.38)             
              Já o empirismo, além de discordar do racionalismo, é crítico ferrenho do inatismo, e para defesa desse sistema, o médico inglês defende que a mente apreende ideias particulares e as nomeia para posterior uso, aperfeiçoamento ou descarte. Percebe-se, que para Locke não há nada anterior ao homem e só num processo de aceita ou não aceita é que o homem vai formulando suas verdades. Esse processo mental da disputa que prevalece o argumento mais forte, segundo o filósofo inglês vai influenciar em diversos contratos sociais que inclui-se aí os princípios de fé, justiças, diversas regras morais, até as virtudes estão vinculadas ao proveito.
              Empirista porque quando o filósofo inglês acredita que todo o conhecimento humano é fruto de um contrato inconsciente entre todas as partes a depender do local e do momento histórico. Por isso, para ele, o inatismo não existe.

4.                                               O problema do conhecimento em Descartes e Locke à luz leiga dos dias atuais
                   Este texto é escrito num momento anterior aos debates que se promoverão, historicamente, após as publicações de René Descartes e John Locke. É sabido que muitos pensadores já refutaram ou confirmaram as teses desses dois filósofos modernos. Contudo, até o momento desta escrita, não se teve acesso a essas arguições. Deixar as leituras de textos posteriores para depois foi proposital no intuito de apontar alguns pontos de vistas pessoais verificados durante as leituras acerca do Racionalismo e Inatismo Cartesiano e do Empirismo de Locke.
                   Se fosse para se criar uma pintura de Descartes e Locke, a transcrição seria a seguinte: Descartes apontando para cima, para a metafísica – como quem diz que os pensamentos puros e racionais são obras de uma divindade, enquanto Locke aponta para baixo dizendo que o homem pensante é só uma criação do próprio homem.
                   Tanto Descartes quanto Locke procuram demonstrar como surge e se desenvolve o conhecimento no homem. Ambos coincidem em dizer que certas “morais” são só convenções humanas. Para Descartes, algo que deve ser derrubado igual uma casa e construído de novo; para Locke, algo que deve ser transcrito com um novo contrato social que abandone totalmente a ideia de que alguém já nasce especial. O problema dos dois são as contaminações daquilo que eles próprios combatem. Assim como o matemático francês deixa o seu “eu” particular de matemático interferir na sua proposta de apresentar a origem do conhecer, a medicina do inglês é subentendida nos seus textos – o resultado é um homem dissecado e seco, finito e sem alma. Por conta disso, é fácil perceber uma defesa política e humana nos dois autores. Pode ser importante para a mudança de rumos da humanidade daquela época em diante, foi o que aconteceu mais tarde, mas não deixa de ser uma contaminação de um momento histórico e de lugar.
                   Incômodo em Descartes é o momento em que ele descobre que todo o seu conhecimento é falso e no momento em que a sua razão parte para buscar o seu “eu” verdadeiro, a própria razão e, portanto a verdade, o pensador conclui com o inatismo. Nisso, ele sai do plano da razão e entra na metafísica inconscientemente reforçando a ideia de poder sobrenatural pregado à época.  Dos dois um: ou faltou coragem do autor de ir contra a igreja e o poder da época ou, por falta de tempo vital, o matemático francês preferiu um caminho mais fácil com argumentos pré-existentes.
                   Já em Locke, é inevitável não questionar como há certos costumes coincidentes entre povos mesmo que eles nunca tenham tido contato um com o outro? É o caso da noção de Deus, deus, deuses. Todos os povos cultivam fé com alguma divindade. E há outras várias atitudes no homem que não são ensinadas, mas estão lá. O plano terreno do filósofo inglês coloca uma barreira querendo encerrar um assunto, o que não acontece.
                  O debate acerca do racionalismo/inatismo versus o empirismo é um debate acerca das origens do conhecimento e sempre culmina num conflito entre divindades versus homens, do começo. René Descartes e John Locke tentam separar algo que é a complexidade misturada do homem. Mesmo, em dias atuais, pelo menos depois que se dê um lado para que as pessoas um, várias indivíduos, pelo menos de forma teórica e oral, optam pelo inatismo metafísico de Descartes. Quando se trata de um discurso escrito e prático, as pessoas tendem a ficar mais do lado de John Locke.

Questão 1 - René Descartes e John Locke apresentam visões diferentes sobre a origem do conhecimento. Qual é a principal diferença entre as suas perspectivas?

A) Descartes defende o inatismo, enquanto Locke defende o empirismo.
B) Descartes defende o empirismo, enquanto Locke defende o inatismo.

Questão 2 - De acordo com o texto, qual é a crítica de John Locke ao inatismo de René Descartes?

A) Locke argumenta que as ideias inatas são necessárias para a sobrevivência humana.
B) Locke argumenta que, se existissem ideias inatas, todas as pessoas teriam as mesmas ideias, o que não é o caso.

1ª) QUEM É O FILÓSOFO RACIONALISTA DO TEXTO?

(A) RenRené Descartes
(B) John Locke

2ª) QUEM É O FILÓSOFO EMPIRISTA DO TEXTO?

A) René Descartes
(B) John Locke

3ª Qual é o pensamento de René Descartes

(A) Lança o empirismo. A proposta deste movimento é que todo e qualquer tipo de conhecimento humano (o autor usa o termo ideia) começa do zero a partir de cada nascimento. 

(B) Émetafísico porque acredita que alguma ideia do homem já nasce com ele (homem) – é o caso da noção de espaço. A origem desses pensamentos, para o autor advém de Deus. 

4ª Qual é o pensamento de John Locke

(A) Lança o empirismo. A proposta deste movimento é que todo e qualquer tipo de conhecimento humano (o autor usa o termo ideia) começa do zero a partir de cada nascimento. 

(B) Émetafísico porque acredita que alguma ideia do homem já nasce com ele (homem) – é o caso da noção de espaço. A origem desses pensamentos, para o autor advém de Deus. 


Link para o gabarito



REFERÊNCIAS

CORTELLA, Mário Sérgio. Seminário família, escola e cidadania: quais os caminhos? Escola da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, agosto de 2007. Palestra “Nós não nascemos prontos”. In: RAMOS, Rogério de Araújo. Ser protagonista: Língua portuguesa. 2. ed. São Paulo: SM, 2013. Adaptado.

Dutra, Luiz Henrique de Araújo. Teoria do conhecimento / Luiz Henrique de Araújo Dutra. — Florianópolis, 2008.

FRASSON, Antonio Carlos,:JUNIOR, Constantino Ribeiro de Oliveira. METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA. São Luís, Maranhão : 2010

Descartes, René, 1596-1650. Discurso do Método/René Descartes; tradução Ciro Mioranza, - São Paulo : Escala Educacional, 2006

Locke, John, 1632-1704. Ensaio acerca do entendimento humano; tradução Anoar Aiex, - São Paulo : Editora Nova Cultura, 1999

SILVA, José Maria da. Apresentação de trabalhos acadêmicos: normas e técnicas/José Maria da Silva , Emerson Sena da Silveira. 5. Ed. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2009




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