quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Questões do ENEM. ENEM 2014. Ideias contrárias




TEXTO I

Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por filtrarem e, ainda mais condensadas, transformam-se em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo possível, transforma-se em pedras.

BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado).

TEXTO II

Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha.”

GILSON, E.: BOEHNER, P. História da Filosofia Cristã. São

Paulo: Vozes, 1991 (adaptado).

 

1. 4. 3.42 (ENEM E2012/ c/adaptações) Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo. Diferente de Basílio Magno, Anaxímenes faz parte dos Pré-Socráticos. Assinale abaixo o principal traço desses filósofos.

a) A cosmologia pré-socrática não é uma explicação racional e sistemática da origem das coisas.

b) A cosmologia pré-socrática é uma explicação racional e sistemática da origem das coisas.



TEXTO I

Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até o esgotamento completo. Vencido palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.

CUNHA, E. Os sertões. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1987.

TEXTO II

Na trincheira, no centro do reduto, permaneciam quatro fanáticos sobreviventes do extermínio. Era um velho, coxo por ferimento e usando uniforme da Guarda Católica, um rapaz de 16 a 18 anos, um preto magro, e um caboclo. Ao serem intimados para deporem as armas, investiram com enorme fúria. Assim estava terminada e de maneira tão trágica a sanguinosa guerra, que o banditismo e o fanatismo traziam acesa por longos meses, naquele recanto do território nacional.

SOARES, H. M. A Guerra de Canudos. Rio de Janeiro: Altina, 1902

1. 05 15 (ENEM 2015) Os relatos do último ato da Guerra de Canudos fazem uso de representações que se perpetuariam na memória Construída sobre o conflito. Nesse sentido, cada autor caracterizou a atitude dos sertanejos, respectivamente, como fruto da

A manipulação e incompetência.

B bravura e loucura.

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Psicologia da um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilânica,
Sofro, desde a epigênesis da infância
A influência má dos signos do zodíaco

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - esta operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra.

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos.
Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos Anjos

113 A poesia de Augusto dos Anjos revela aspectos de uma literatura de transição designada como pré-modernista. Com relação à poética e à abordagem temática presentes no soneto, identificam-se marcas dessa literatura de transição, como
(A) a forma do soneto, os versos metrificados, a presença de rimas e o vocabulário requintado, do ceticismo, que antecipam conceitos estáticos vigentes no Modernismo.

(B) a manutenção de elementos formais vinculados à estética do Parnasianismo e do Simbolismo, dimensionada pela inovação na expressividade poética e o desconcerto existencial.


segunda-feira, 18 de setembro de 2023

7º Plan 3º - A poesia de 30: Cecília e Vinícius Páginas: 182 a 189; e Operadores








Motivo

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.


Irmão das coisas fugidas,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.


Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

-não sei, não sei. Não sei se faço

ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

- mais nada.

MEIRELLES, C. Obra poética. Rio de Janeiro:


1º) O poema ”Motivo” se inicia com o verso ”Eu canto porque o instante existe”. Qual é o canto aqui se refere o poema e o motivo do seu canto.

(A) o canto poético, ou seja, a própria poesia e tudo isso por conta do instante, do presente, da própria vida;

(B) o canto poético, ou seja, a própria poesia e tudo isso porque a autora existe, mas tem a vida triste;


Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência a vossa!

Todo o sentido da vida

principia a vossa porta:

o mel do amor cristaliza

seu perfume em vossa rosa;

sois o sonho e sois a audácia,

calúnia, fúria, derrota...

A liberdade das almas,

ai! com letras se elabora...

E dos venenos humanos

sois a mais fina retorta:

frágil, frágil, como o vidro

e mais que o aço poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,

pelo vosso impulso rodam...

MEIRELLES, C. Obra poética. Rio de Janeiro:


2º) 5. 121 (ENEM 2014) O fragmento destacado foi transcrito do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Centralizada no episódio histórico da Inconfidência Mineira, a obra, no entanto, elabora uma reflexão mais ampla sobre a seguinte relação entre o homem e a linguagem:

a) A força e a resistência humanas superam os danos provocados pelo poder corrosivo das palavras.

b) As relações humanas, em suas múltiplas esferas, têm seu equilíBrio vinculado ao significado das palavras.


Soneto de separa•‹o

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

(In: Nova antologia poética de Vinicius de Moraes, seleção e organização de Antonio Cícero e

Eucanaã Ferraz. São Paulo: Cia. das Letras, Editora Schwarcz Ltda., 2008. p. 100 © VM.)


3º) 5. 121 (ENEM 2014) Como o nome sugere, o “Soneto de separação” tem como tema a separação. De que tipo de separação trata o poema?

a) A força e a resistência humanas superam os danos provocados pelo poder corrosivo das palavras.

b) De uma separação amorosa, conforme indica o verso “E das bocas unidas fez-se a espuma”.


4º) 5. 121 (ENEM 2014) As figuras de linguagem cumprem um importante papel na construção

do poema. Identifique a figura de linguagem que se verifica nestes pares de palavras da poesia "Motivo"


a) Antítese

b) Sinônimo











5º 3.12.  Quais operadores argumentativos completam o texto acima adequadamente?

(A) Na chamada década perdida / o país / dessas pessoas / ao governo e à sociedade brasileira / à nova realidade / aos estrangeiros / Embora / Esse aspecto / entretanto / Portanto / dessa situação / Ademais / a esse grupo

(B) Na chamada década perdida / o país / dessas pessoas / ao governo e à sociedade brasileira / à nova realidade / aos estrangeiros / Embora / Esse aspecto / entretanto / Portanto / dessa situação / Ademais / Por issso



6º 8.     405 pág. 158 (Renato Aquino 2014) Gritou muito, porém ninguém ouviu. A oração coordenada sindética deste período classifica-se como:

(A)  aditiva                    
              
(B) adversativa


7º 7.     427 pág. 161 (Renato Aquino 2014) Assim que chegou, foi ao escritório. Oração subordinada adverbial
         
(A) proporcional.             
(B) temporal.


8º Com base no livro Didático, responda: O que são OPERADORES ARGUMENTATIVOS?

(A) São termo utilizados para correlacionar partes de um texto, a fim de permitir que a direção argumentativa que se pretende tomar fique subentendida.

(B) São termo utilizados para enfeitar um texto, a fim de permitir que a direção argumentativa que se pretende tomar fique entendida.


LINK DO GABARITO PARA MARCAR. 


https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdGDQ5n01DtSHCyKBuvlIFGnPaiHA2LuxS06M-kTR-MaHonIw/viewform?usp=sf_link

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Mudanças educacionais durante o período da ditadura militar















                   Em março de 64, o Brasil, mais uma vez, muda radicalmente os rumos da política e consecutivamente os da educação também. Um ser humano, antes moldado pela igreja, depois pelo liberalismo econômico, quase pende para a esquerda, mas gira totalmente para a direita militar. A escola que quase acerta por ser a transmissora de conhecimentos sistematizados passa a ser ideológica e social desde então.
                 Trinta anos após a promulgação da constituição, o Brasil passa por fortes críticas à democracia e suas diversas instituições públicas (destaque para a escola pública que tem recebido severas críticas). Contudo, alguns podem pensar que os militares almejam o poder e o país esteja parecido com março de 64. Ledo engano. Mas, muito parecida situação. Naquele período, partes importantes dos setores sociais não queriam o comunismo ou o socialismo implantados no Brasil: é o caso de alguns empresários proprietários rurais, industriais paulistas, uma grande parte das classes médias urbanas e o setor conservador da igreja católica. Tal situação não se configura atualmente. Até foi bem parecida à situação de queda de um governo de esquerda como o de João Goulart com o de Dilma Rousseff, mas, como os militares já foram testados, o brasileiro segue acreditando num governo civil eleito pelo voto direto.
                      Mesmo que fosse qualquer ideologia que ascendesse ao poder – a educação sempre seria usada como uma ferramenta de extensão daquele poder. Nisso os militares não perderam tempo e trataram logo de mudar a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 4.024/61 para a 5.692/71 (Esse texto observa só essa lei do ensino básico).
                 Além de ser um profissional técnico, o homem desejado pelos militares é fruto das principais características de uma grade curricular que incluía educação física, artística, programas de saúde e, evidentemente, educação moral e cívica. O ano letivo tinha 180 dias e exigia-se dos professores, para lecionarem na 1ª e 4ª séries habilitação específica. Para o 2º grau, um curso superior em nível de graduação.
                      Mesmo que não se aprofunde é bom ressaltar, tornar os homens cobaias de projetos que não lhes pertence, vem desde sempre – dos jesuítas a Pombal, dos militares aos dias atuais, da esquerda à direita.
                  É sabido que os militares exageraram no poder: censuraram, mataram e reprimiram muito. E ainda por cima demoraram a devolver o Governo aos civis, até por conta disso, nenhum civil em sã consciência os quer de volta no governo, mas algumas mudanças propostas por eles persistem até hoje e são sempre bem recepcionadas pela população mais humilde – é o caso do ensino profissionalizante, embora haja uma elite intelectual que bateu muito contra esta proposta no período militar e continua batendo mesmo em época de lei 9394/96, aquele momento histórico requeria uma escola que formasse um trabalhador que não desejava tanto ir para o ensino superior – alguém que só queria uma profissão e entrar no mercado o mais rápido possível. Na verdade o ideal seria uma escola de tempo integral que visasse o mercado de trabalho e a universidade, mas mesmo na atualidade isso ainda não vigorou.
               Outra mudança, que talvez o momento histórico exigisse, é a inclusão das disciplinas educação física, artística, programas de saúde, educação moral e cívica. O momento poderia requerer, mas aqui, a ditadura tirou o foco da escola, que este texto concorda com Saviani (2011) de que a escola é uma instituição cujo papel consiste na socialização do saber sistematizado. As novas matérias eram de cunho muito subjetivo e, continuam sendo, e ocupando espaços que  deveriam ser dos estudos linguísticos, matemáticos, físico-químicos. Daquele conhecimento que é bem mais difícil se fazer no íntimo familiar. Sem falar que alguns assuntos daquela grade aparecem em textos da base obrigatória como nos de língua portuguesa. Sempre apareceram e irão aparecer. Os militares queriam uma escola técnica e criaram uma escola social “aperfeiçoada” mais tarde pelos governos sociais da década de 90 e dos anos 2000.
                 Mesmo assim, há que se concordar com o pensamento dialético no sentido de que a coisa histórica vai se construindo sempre procurando a alternativa “menos pior” para o momento. “Menos pior”, não melhor. Por isso, a alternativa jesuítica, pombalina, militar, petista, era a “menos pior” para aquele momento histórico. Mas é bem sabido por este articulador que adjetivar um passado com o olhar do presente é de uma covardia sem tamanho. Por isso é que, sem pejoração, o que o homem do presente tem admirar é a coragem de quem ousa mexer com as estruturas da educação: educar um único filho já é tarefa hercúlea quiçá um país, embora se saiba que todos os que tentam educar os faz para manipular, controlar, escravizar – da esquerda a direita – todos têm um interesse muito particular quando se enfileira ou não os outros.
            
              
                 



REFERÊNCIAS


Dutra, Luiz Henrique de Araújo. Teoria do conhecimento / Luiz Henrique de Araújo Dutra. — Florianópolis, 2008.

FRASSON, Antonio Carlos,:JUNIOR, Constantino Ribeiro de Oliveira. METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA. São Luís, Maranhão : 2010

Lei de Diretrizes e Bases 5692/71. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/l5692.htm> acesso em 17 de junho de 2018

Saviani, Dermeval, 1944- Pedagogia histórico-crítico: primeiras aproximações/Dermeval Saviani-11.ed.rev. – Campinas, SP: autores associados, 2011.

SILVA, José Maria da. Apresentação de trabalhos acadêmicos: normas e técnicas/José Maria da Silva , Emerson Sena da Silveira. 5. Ed. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2009

Vieira, Ana Lívia Bomfim. História da Educação Brasileira.




terça-feira, 5 de setembro de 2023

3º PLAN 3º ENEM 2014. 126. Camelôs - de Manuel Bandeira e Macunaíma Cap. 3: A Geração de 22. Pág. 64 a 73; Regência Verbal



1.    362 ((Renato Aquino 2016). O garoto derrubou a mesa desastradamente. SÃO respectivamente:

a)    Complemento nominal, adjunto adnominal      
                          
b)    Adjunto Adnominal, Objeto direto

VÍDEO AULA DA QUESTÃO ACIMA NO LINK ABAIXO. ANÁLISE DA QUESTÃO. COPIE E COLE O LINK NO NAVEGADOR PARA ASSITIR.



2.  Marque a CORRETA:

(A) Regência Verbal é o principio pelo qual os verbos se ligam a seus complementos;

(B) Regência Verbal é o principio pelo qual os substantivos se ligam a seus complementos;


3. SOBRE AS DUAS FORMAS VERBAIS EM DESTAQUE ADMITEM OUTRAS REGÊNCIAS.

"Tratarei do quadro"
"Procurarei a gravura"

Reescrevendo-as, alterando a regência de cada uma delas pode-se ter

(A) tratarei o quadro e Procurarei pela gravura porque admitem outras regências

(B) tratarei do quadro e procurarei a gravura porque não admitem outras regências

4º Marque a frase CORRETA com  verbo ASSISTIR escrito obedecendo a regência verbal conforme gramática padrão:

A) Assisti o futebol na televisão;

B) Assisti às vítimas do acidente;





































1. Tomado por base a obra "Macunaíma" de Mário de Andrade. Que elementos da fauna podem ser observados no texto?

A) o texto cita animais brasileiros como as piranhas, os botos e o mosquitinho de Minas;

B) o texto cita animais brasileiros como as girafas, os elefantes e os mosquitinhos de Minas;


2. Em um episódio de MACUNAÍMA anterior ao lida, Macunaíma não cumpriu a promessa feita a VEI, a SOL, de casar-se com uma de suas filhas, preferindo se envolver sexualmente com uma portuguesa que conhecera na praia. Que características de MACUNAÍMA se nota nesse episódio e que volta a acontecer no texto lido.

A) A seriedade de Macunaíma diante dos compromissos assumidos, de controle;

B) A sensualidade de Macunaíma, que é incontrolável;


3. 126  ENEM
O Movimento Modernista é inovador em dá espaço na poesia a agentes simples da vida corriqueira. Se antes, no poema, só cabia Reis, damas e cavaleiros e a linguagem seguia uma coerência inquebrável, agora o artista trabalha com flashes do cotidiano. O enredo é um mosaico e bebe do dadaísmo como recorte da vida.

Camelôs

bençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão:
O que vende balõezinhos de cor
O macaquinho que trepa no coqueiro
O cachorrinho que bate com o rabo
Os homenzinhos que jogam boxe
 perereca verde que de repente dá um pulo que é engraçado
E as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão coisa alguma.
legria das calçadas
Uns falam pelos cotovelos;
-O cavalheiro chega em casa e diz: Meu filho, vai
buscar um
pedaço de banana para eu acender o charuto.
Naturalmente o menino pensará: Papal está malu..."
Outros, coitados, têm a língua atada.
Todos porém sabem mexer nos cordéis como o tino
Ingênuo de
demiurgos de inutilidades.
E ensinam no tumulto das ruas os mitos heroicos da
meninice
E dão aos homens que passam preocupados ou tristes
uma lição de infância.

B NDEIR , M, Estrela da Vida inteira, Rio de Janeiro: Nowa Fronteira, 2007

Uma das diretrizes do Modernismo foi a percepção de elementos do cotidiano como matéria de inspiração poética. O poema de Manuel Bandeira exemplifica essa tendência e alcança expressividade porque

(A )realiza um inventário dos elementos lúdicos tradicionais da criança brasileira.

(C) traduz em linguagem lírica o mosaico de elementos de significação corriqueira.

Macunaíma: o herói da “nossa” gente

 

 

       A obra de Mário de Andrade, Macunaíma, escrita em 1928 continua tão atual quanto nunca. Os heróis do Brasil, políticos ou empresários, possuem todas as características do protagonista de Andrade.  Ainda na escola são ensinados a serem “Macunaímas”: superficiais; supersticiosos; desonestos; preguiçosos.    

     Os políticos brasileiros, “Macunaímas” por natureza, ou pela escola, querem o poder simplesmente para não trabalharem de verdade.     

     Para piorar, um comportamento que deveria ser repudiado é premiado. Pode olhar quem está governando. São os que foram os piores alunos. Isso quando se tem na gestão os que, pelo menos, concluíram os estudos (sem a escola a situação piora). Mesmo assim com os que foram ao colégio, o que se tem no governo são aqueles que foram espertos nas más práticas: eram supersticiosos, desonestos e preguiçosos.  

     Quem é só povo no Brasil está em maus lençóis. De um lado os políticos “macunaímicos”; do outro, o arquirrival do “herói” - Venceslau Pietro Pietra. Esse monstro representa o empresariado

brasileiro: pronto para dar o bote em quem não conseguiu ser bom aluno e só tem como saída ser uma mão de obra escrava.

         Já o filme dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, em 1969 Tem muito em comum com o livro, mas termina prestando um desserviço aos que assistem e são leigos. É um filme muito bom, mas no olhar de leigo é só mais uma comédia. O que não é bem verdade.

            O clímax da aventura é marcado com Macunaíma matando o gigante numa piscina de óleo fervendo.

            É com tudo isso que Macunaíma é a obra que melhor denuncia o Brasil desde o descobrimento, e infelizmente, o atual. Enquanto outros povos tiveram seus jovens inspirados em grandes nomes, Mário de Andrade choca o brasileiro com um herói que deveria ser odiado. E, por conta disso, deve-se tomar muito cuidado na apresentação do “herói da nossa gente” aos mais novos. Todo o comportamento da épica “macunaímica”, inclusive os vilões devem ser apresentado como algo a ser odiado.

 

Disponível em <http://isaacsabino.blogspot.com.br/2014/05/macunaima-o-heroi-da-nossa-gente.html>  acesso em 18 maio de 2014

 

 

 

4 (7. Modelo DESCRITOR D1 – Localizar informações EXPLICITAS no texto) Compreende-se do texto que

(A) a escola combate as más práticas dos alunos;

(B) a obra de Mário de Andrade continua atual;


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O Caniçal

     Já fazia anos que ela pegava cocorotes. Aquela vida começou quando tinha três anos. Hoje tem quinze. Seus pais acreditavam e a mandaram para o lugar onde todos acreditavam sair de lá com sucesso – o Caniçal.
     O relógio marcava a proximidade de mais um dia de aulas. Maria se maquiava; a menina era bonita e inteligente.   
     Já no Caniçal, o professor pegou a aluna Joaquina e iria cumprir a rotina que já existia há anos em todos os cantos daquele estranho mundo. Colocou a mão na parte de trás do pescoço da menina e começou a ‘cocorotar”. Dizia que os meninos só seriam grandes se suportassem até a campa tocar. A boca de Joaquina ficava entre-aberta e escorria muita saliva pelo canto. Seus olhos ficavam arregalados, mas ela suportava.
     O primeiro coque doía muito, do mil em diante nada mais era sentido. Cansado, doído, humildemente o mestre cumpria a sua missão de “cocorotar”. Ele também acreditava naquilo.
     No dia seguinte, Maria se arrumou, penteou o cabelo e saiu. Chegando à escola encontrou seus amigos de classe. Tinha um que ela não suportava - “o traidor Pedro”  ( o chamavam assim por ser o dedo duro da turma).
— onde está a Joaquina? Perguntou Maria.
— Ela não veio, parece que seus pais a colocaram num outro caniçal. Particular.  – “n’outra” cidade. Dizem que os coques daqui são poucos e não levam ninguém a lugar algum. Alguém falou.
— ela é uma tola, nós vamos ter sucesso na vida é a partir daqui. Disse Pedro.
     Maria ouvindo aquilo ficou com uma raiva e pensou: como sofrer tanto pode está vinculado ao sucesso? Não faz sentido.
     O professor se aproximou e começou a dar cocorotes na menina.
     Maria com a cabeça ardendo pediu para sair. Foi quando ouviu o coordenador Sabino falando ao telefone com um representante do governo.
— meu querido amigo, a safra deste ano vai ser a melhor de todas. Serão ótimos pagadores de impostos. Trabalhadores braçais muito bons. Os coques os colocam em seus lugares. Os tornam mansos. Nesse ano teremos os meninos que menos questionam. Eles acreditam que quanto mais coques aguentarem, mais sucesso terão. São uns tolos. Mas, é claro que vamos deixar que um deles tenha um bom emprego. Seja o sucesso. Só um, não mais. Os outros vão se encher de esperança querendo ser como esse um.
— Do que ele esta falando?  — quer dizer que eles estão nos enganando? Pensou Maria ao ouvir tudo.
     A garota volta para a sala de aula e como sempre ver os seus amigos recebendo coques. Aquilo a deixa  nervosa. É quando com a voz estrondosa manda o professor parar:
— Vocês não entendem. É tudo ilusório. No fim não seremos aquilo que tanto desejamos. Estamos sendo preparados como gado ou ovelhas para o abate.    O professor é só mais uma vítima inconsciente nisso tudo. Só o coordenador e as autoridades sabem. No futuro vamos apenas trabalhar muito para gerar impostos para uns poucos viverem confortavelmente.
     De início o professor até concordou com a menina, mas para puni-lá, o mestre  a leva ao poderoso coordenador:
— o que?! Essa menina está nos desafiando? Disse o coordenador.
— você é um mentiroso! Disse Maria.
— como?! Do que você esta falando? Perguntou o Sabino.
— você sabe muito bem. Você não me engana, e em breve não enganará mais ninguém.
     O poderoso coordenador ordenou que a levassem para um quarto escuro no interior do caniçal. E lá ele passou horas dando cocorotes em sua cabeça.
     No outro dia ele a tirou do quarto e a levou para a sala de aula, os amigos quando viram seu estado ficaram com muito medo.
     O coordenador pediu a ajuda do aluno Pedro. A proposta do menino foi rápida:
— faça eventos: futebol, desfiles. Isso fará todos ficarem com você.
     Dias após ocorreram diversas festividades.
     O resto do ano foi marcado por palavras como suspensão, expulsão e outras que provocam medo. A rotina de cocorotes continuou. A aluna Maria suportou tudo e ao término do ano prestou um vestibular e conseguiu o primeiro lugar num bom curso. Formou-se numa profissão muito boa e ganhou muito dinheiro.
[...]
— É mais um início de ano letivo. Sejam todos bem vindos. O exemplo que vamos falar hoje é de uma grande aluna do passado. Que suportava tudo. Uma vencedora. Passou num bom vestibular e é o sucesso de nossa instituição. Espelhem-se nela – a aluna Maria -  Disse o Coordenador Sabino aos novatos que chegavam para mais um ano letivo de aula.
Por Gabriela com adaptações

1.     (Vestibular PAES)_Analise as informações apresentadas a seguir e marque a INCORRETA.

A.    O texto possui características de conto: narrativas com discurso direto, personagens, espaço. Afasta-se de uma dissertação;

B.    O conto é falho. Em nada pode ser comparado com o real. As práticas pedagógicas têm dado certo e todos vencem no final;



2. (Modelo Enem 2014) Infere-se do texto

A) que não dá para se extrair lição alguma do enredo analisado;


B.    Pode-se dizer que o texto é uma crítica a educação atual com suas pedagogias de muito sofrimento e pouco resultado;


3.     O texto é predominantemente:

A)   Dissertativo        

B) narrativo


4ª QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CONTO FANTÁSTICO E O CONTO MARAVILHOSO?

A) Segundo o teórico russo Tzvetan Todorov, o maravilhoso se distingue do fantástico na medida em que pressupõe a aceitação do inverossímil e do inexplicável.

A) Segundo o teórico russo Tzvetan Todorov, o maravilhoso se distingue do fantástico na medida em que pressupõe apenas a imaginação do inverossímil e do inexplicável.


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