segunda-feira, 13 de novembro de 2023

UMA RESENHACRÍTICA DO TEXTO “MULTICULTURALISMO E DIREITOS HUMANOS” DE MARCUS VINÍCIUS REIS

                                                                                                                            Isaac Sabino CARDOSO1

 

 

1.    REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

 

Reis. Marcus Vinícius. MULTICULTURALISMO E DIREITOS HUMANOS. Disponível em <http://www.senado.gov.br/senado/spol/pdf/ReisMulticulturalismo.pdf> Acesso em 04 de dezembro de 2020

 

2.    CREDENCIAIS DO AUTOR

 

                  Marcus Vinícius Reis é Advogado, Mestreem Economia pela UnB, Máster em Derechos Fundamentales pela Universidad Carlos III de Madrid (Espanha); Estudou Temas de Segurança e Defesa pela National Defense University/CHDS (Washington, EUA); Certificado em Vitimologia de Crime de terrorismo pela UC3M (Madri, Espanha) e em Combate ao Crime de Terrorismo e de Ódio peloPort of Tacoma Patrol and Maritime Intelligence Suport Team (Seatle, EUA). Finalizou o Certificate in Terrorism Studiespela St. Andrews University (Escócia, UK), com foco em proteção a infraestruturas críticas. Palestrante nacional e internacional (Tunísia, Colômbia e Argentina) acerca de temas envolvendo áreas do Direito, Segurança Pública e Defesa. Coautor do Livro TERRORISMO: CONHECIMENTO E COMBATE, pela Editora Impetus, 2017, a primeira referência brasileira sobre o tema.

 

3.         CONHECIMENTO

                  Multiculturalismo e Direitos Humanos” é um artigo que trata da cidadania a ser exercida a partir do conhecimento dos Direitos Humanos respeitada as diferentes culturas. O texto resulta da experiência histórica e pesquisas bibliográficas do Advogado Marcus Vinícius Reis no estudo do multiculturalismo com foco nos Direitos Humanos. O objetivo encontrado no próprio autor “é conceituar os Direitos Humanos a partir de outros autores usando alguns momentos históricos que ele dividirá e chamará de “fases” que ao todo são quatro”.

4.    RESUMO

                      O artigo começa mostrando o conceito e quando surge “os Direitos Humanos na cultura ocidental moderna”, contudo, é no multiculturalismo que Reis chama a atenção para o que deveria ser o foco, mas que nos últimos anos tem sido relegado a plano ”secundário” graças ao globalismo com seu braço neoliberal. Percebe-se a seguinte divisão no trabalho do autor: a introdução apresenta o conceito de Direitos Humanos apontando um histórico dividido em quatro fases, logo em seguida, no capítulo II, é adentrado no Multiculturalismo com apresentação de suas virtudes e vícios.

                     A primeira fase tem início a partir da Revolução Francesa e independência dos Estados Unidos com a positivação dos direitos. A segunda é a da generalização agregando posições sociais, de raça, credo, origem etc. Já a terceira, ocorre ao mesmo tempo da segunda que é o fenômeno da internacionalização dos direitos humanos. Por fim, a quarta e atual fase histórica é a especificação que vai focar em grupos como deficientes físicos, mulheres, imigrantes, refugiados, crianças, idosos etc.

                    Em “Multiculturalismo”, o autor começa esclarecendo as diferenças entre multiculturalismo, pluralismo, universalismo e relativismo e dando destaque para o pluralismo por ser uma das características, segundo ele, das sociedades livres como no caso do Brasil que tem essa pluralidade inserida no preâmbulo de sua Constituição.

                      Ao apontar o artigo 5º da Carta Magna que trata da liberdade de pensamento, de opinião, de culto, de associação, de ofício, de opção sexual, de casamento, de partido político etc, ele questiona se essa realidade existe mesmo no contexto brasileiro e faz até certa crítica alegando que esse comportamento deveria ser tomado por uma liberdade moral e ética, o que ocorre, na verdade, é algo imposto pela lei.

                      Próximo dos parágrafos finais é englobado esse pluralismo dentro do multiculturalismo que também trata da convivência em um país, região ou local de diferentes culturas e tradições. Nesse sentido o multiculturalismo é pluralista. O autor percebe dois problemas: um de cunho relativista e outro de forma universalista. No relativismo tudo é aceito; já no universalismo, pequenas culturas correm o risco de não serem respeitadas.

                      Por fim, o autor enxerga perigo, no respeito a algumas particularidades culturais locais, o que seria o relativismo. Segundo ele, as mutilações que ocorrem em alguns países são difíceis de conciliar com o que demanda os Direitos Humanos.

5.         CONCLUSÃO E CRÍTICA               

                       Multiculturalismo e Direitos Humanos seria um texto inovador não fosse um discurso repetido numa época em que virou moda defender algo que dificilmente alguém vai ser contra. O tema dos Direitos Humanos envolvendo o respeito às diversidades culturais vem sendo tratado com intensidade nos últimos anos. Contudo, no caso do Brasil (não se encontra no texto também), estudos estatísticos que comprovem uma realidade de preconceito e discriminações disseminadas por conta de questões culturais. O autor até diz que aqui é um país plural e, num olhar superficial, percebe-se uma convivência pacífica entre os diferentes mesmo. Esse é o primeiro problema do artigo.

                      O segundo está no parágrafo em que o advogado, usando como referência outros autores, critica o Globalismo com seu neoliberalismo. Fica subentendido durante toda a leitura do texto uma defesa as mais variadas culturas, logo, é incoerente criticar qualquer uma na sua existência, seja o socialismo ou mesmo o movimento liberal. O problema de qualquer defesa radical de algo, pode até ser mesmo os Direitos Humanos, é que implica eliminar outro algo ou seja, outra cultura. Outra incoerência é a crítica do relativismo por aceitar o particular e do universal por eliminar o local. É como dizer que pode e não pode ao mesmo tempo.

                       Quando indaga sobre a garantia ou não do artigo 5º do texto Constitucional funcionando no país, o autor cai no campo da opinião, pois se não houvesse a tomada de decisão em obediência a Lei – com a disseminação do preconceito e da discriminação de forma desenfreada, o país já teria eclodido num conflito incontrolável, insuportável e mortal. De um lugar assim todos já teriam se afastado.

                       Mas há coisas interessantes no texto: o estilo, por exemplo, é uma dessas: o texto é marcado por ser conciso e simples. A linguagem é de fácil leitura, clara. A divisão das fases em que surge e continuam “Os Direitos Humanos” ficou de fácil entendimento até para um leitor leigo no assunto. O Autor, também, se mostra humilde quando alega não ver saída ou conciliação entre algumas culturas locais e “Os Direitos Humanos”.

                       

 

 

 

         REFERÊNCIAS

Marcus Vinícius Reis. Escavador. Sobre Pessoa Física. Disponível em <https://www.escavador.com/sobre/3944025/marcus-vinicius-reis> Acesso em 04 de dezembro de 2020[.

 

 

Silva, José Maria da. Apresentação de trabalhos acadêmicos: normas e técnicas/José  Maria da Silva , Emerson Sena da Silveira. 5. Ed. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2009

 

 


  

A questão Antropológica no filme O Último Samurai

 

                O Último Samurai é um filme épico de guerra estadunidense, de 2003, dirigido e co-produzido por Edward Zwick, que também co-escreveu o roteiro com John Logan. O filme é estrelado por Tom Cruise, que também co-produziu, [...] Inspirado por um projeto de Vincent Ward. [...]

                 O filme conta a história do Capitão Nathan Algren (Tom Cruise), veterano das guerras indígenas nos Estados Unidos. Já no início da narrativa, Algren é apresentado como o soldado beberrão traumatizado com as batalhas passadas, mas que é muito bom no que faz, a prova é que, ainda no primeiro ato, ele é convidado por seu ex-comandante para participar do treinamento do recém-criado Exército Imperial Japonês.

                  Quando Imperador volta ao poder central no Japão, o governo passa a contratar generais e engenheiros ocidentais para treinar e equipar o seu exército contra os Samurais. Após começar o treinamento dos soldados do Exército Imperial, Algren percebe que não estão prontos para lutar e não podem vencer mesmo com armas de fogo, no entanto seu comandante, o Coronel Bagley, insiste em enviá-los para a batalha. Durante o combate, vendo o exército ser massacrado pelos samurais, o Coronel Bagley foge da frente de batalha, pois na verdade não tinha o dever de lutar mesmo. Ao contrário de seu comandante, o capitão Algren fica e luta bravamente até ser rendido pelo líder dos Samurais, que fica impressionado com a bravura de seu adversário, poupando-lhe assim a vida, mas levando-o como prisioneiro.

                  Durante sua estadia com os Samurais, Algren acaba aos poucos se apaixonando pela cultura e valores dos guerreiros e enfim passa a apoiá-los contra as Forças Imperiais e a ocidentalização desenfreada do país.

                  Uma coisa interessante na obra é o amadurecimento do personagem depois de sua derrota contra os samurais e consecutivamente sua inserção na nova cultura. Melhor ainda é o estudo Antropológico que se é possível fazer a partir dessa ficção, pois é perceptível o processo de ACULTURAÇÃO em nível micro, do protagonista, porque, quando se observa a realidade macro, de país, o Japão está sendo moldado pela cultura ocidental, mas sem a reciprocidade. Outro fator antropológico que merece atenção, agora visto pelo olhar do herói, é a ENDOCULTURAÇÃO, que nada mais é do que o processo pelo qual a aprendizagem e educação em uma cultura ocorre desde a infância com a aquisição das crenças e comportamentos vistos como verdades imutáveis. Deve ser por isso que seja interessante ter crianças e jovens com boa participação no enredo.

                 O etnocentrismo também é visto no filme de duas formas: horizontal e vertical. Na horizontal, têm-se os orientais olhando para os ocidentais como cultura inferior; ao mesmo tempo os ocidentais agem iguais com relação aos orientais. Dentro do próprio Japão é perceptível o olhar do imperador e dos nobres que o cercam de menosprezo ao homem comum tido como uma cultura inferior. Já o empréstimo ou difusão cultural ocorre com a entrada das armas no território japonês.

                 Embora não seja totalmente inédito, O Último Samurai é um filme muito bom, porque, ali, para além da ação e do romance, encontra-se uma reflexão acerca da sabedoria antropológica com suas diversas divisões. Durante todo o enredo vários processos são vistos, mas dentro da aculturação um é em especial, que é a ASSIMILAÇÃO - situação mediante qual o protagonista americano alcança uma “solidariedade” cultural com seus captores samurais encontrando a paz no retorno a pequena aldeia japonesa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

 

Assis, Olney Queiroz. Manual de antropologia jurídica / Olney Queiroz Assis, Vitor Frederico Kümpel. — São Paulo : Saraiva, 2011.

 

 

Lakatos, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica 1 Marina de Andrade Marconi, Eva Maria Lakatos. - 5. ed. - São Paulo : Atlas 2003.

 

O Último Samurai. Disponível em Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/O_%C3%9Altimo_Samurai> acesso em 06 de dezembro de 2020

Silva, José Maria da. Apresentação de trabalhos acadêmicos: normas e técnicas/José Maria da Silva , Emerson Sena da Silveira. 5. Ed. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2009

 



 

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

ENEM 2016, 2014, 2016. SCHOPENHAUER, A. Sentimos que toda satisfação de nossos desejos [...] assemelha-se à esmola que mantém hoje o mendigo vivo [...] DESCARTES, R.Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganoso








1ª - Leia as afirmações sobre a exposição metafísica do espaço e do tempo como formas a priori da intuição. 

I) Na estética transcendental, trata-se o tempo intuitivo como relações de sucessão e simultaneidade. 

II) Na estética transcendental, trata-se o espaço como a forma da intuição do sentido externo enquanto o tempo como a forma da intuição do sentido interno. 

III) Na estética transcendental, o sentido interno não tem primazia sobre o sentido externo, eles estão no mesmo nível de representação. 

IV) Na estética transcendental, espaço e tempo tem um caráter também conceitual. 


Assinale a alternativa que apresenta somente as afirmações CORRETAS, de acordo com a posição de Kant em sua obra “Crítica da Razão Pura”.

(A) I, II, III e IV;

(B) I e II;

O Mistério e a ciência




Sentimos que toda satisfação de nossos desejos advinda do mundo assemelha-se à esmola que mantém hoje o mendigo vivo, porém prolonga amanhã a sua fome. A resignação, ao contrário, assemelha-se à fortuna herdada: livra o herdeiro para sempre de todas as preocupações.

SCHOPENHAUER, A. Aforismo para a saBedoria da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

2.     1 (ENEM 2016aBa1min) O trecho destaca uma ideia remanescente de uma tradição filosófica ocidental, segundo a qual a felicidade se mostra indissociavelmente ligada à

A administração da independência interior.

B busca de prazeres efêmeros.

AULA EXPLICATIVA

SHOPENHAUER CRITICA O COMPORTAMENTO DO MUNDO OCIDENTAL NA BUSCA POR PRAZERES QUE SÓ PRODUZEM FELICIDADE NUM INTEREVALO DEPOUCO TEMPO. ISSO ACONTECE COM AS COMPRAS MATERIAIS. O AUTORE É DEFENSOR DO HOMEM QUE ABANDONA ESSA ESMOLA QUE SÓ MANTÉM A SUBEXISTÊNCIA. RESIGNAR CONTRA ESSA MORAL É A POSTURA QUE O FILÓSOFO ACONSELHA AOS OCIENTAIS.




3. 24 (ENEM 2014) Alguns dos desejos são naturais e necessários; outros, naturais e não necessários; outros, nem naturais nem necessários, mas nascidos de vã opinião. Os desejos que não nos trazem dor se não satisfeitos não são necessários, mas o seu impulso pode ser facilmente desfeito, quando é difícil obter sua satisfação ou parecem geradores de dano.

EPICURO DE SAMOS, Doutrinas principais. In: SANSON, V. F. Toxtos do filosofin, Rio de Janeiro:Eduff, 1974,

No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem tem como fim

a)    alcançar o prazer moderado e a felicidade. valorizar os deveres e as obrigações sociAis,

b)    aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com resignação, refletir sobre os valores e as normas dadas pela divindade.

AULA EXPLICATIVA

EPICURO É UM CRITICO O COMPORTAMENTO DO HOMEM QUE SE DEIXA LEVAR PELOS DESEJOS MATERIAIS. O AUTOR É DEFENSOR DO DESEJO RACIONAL E MODERADO.

Pirro afirmava que nada é nobre e vergonhoso, justo ou injusto; e que, da mesma maneira, nada existe do ponto de vista da verdade; que os homens agem apenas segundo a lei e o costume, nada sendo mais isto do que aquilo. Ele levou uma vida de acordo com esta doutrina, nada procurando evitar e não se desviando do que quer que fosse, suportando tudo, carroças, por exemplo, precipícios, cães, nada deixando ao arbítrio dos sentidos.

LAÉRCIO, D. 􀀹􀁌􀁇􀁄􀁖􀀃􀁈􀀃􀁒􀁖􀀃􀁌􀁏􀁘􀁖􀁗􀁕􀁈􀁖. Brasília: Editora UnB, 1988.
4.28 (ENEM 2016) O ceticismo, conforme sugerido no texto, caracteriza-se por:

B Atingir o verdadeiro prazer como o princípio e o fim da vida feliz.

C Defender a indiferença e a impossibilidade de obter alguma Certeza.


PARA MARCAR AS QUESTÕES CLIQUE NO LINK ABAIXO E ACESSE O GABARITO NO GOOGLE FORMS














AULA EXPLICATIVA

PIRRO É UM CRITICO DO COMPORTAMENTO DO HOMEM QUE PENSA PODER ENCONTRAR A VERDADE. PARA O AUTOR, É IMPOSÍVEL A HUMANIDADE ALCANÇAR A CERTEZA SOBRE ALGO.

SOBRE VERDADE E FELICIDADE ASSISTA AS VÍDEO AULAS ABAIXO

Cardoso. Isaac Sabino. O Niilismo em Nieszhe. Disponível em <https://youtu.be/pgDyrrmkJ-k> acesso em 07 de março de 2021

Cardoso. Isaac Sabino. Questão 118 do ENEM 2018. Triste de Fim de Policarpo Quaresma. <https://youtu.be/D4lbLacTNyU>acesso em 07 de março de 2021


Cardoso. Isaac Sabino. WITTEGENSTEIN, Ludwig INVESTIGAÇÕES FILOSÓFICAS <https://youtu.be/8Lto1kLljcU>acesso em 07 de março de 2021



Cardoso. Isaac Sabino. O Método Cartesiano <https://youtu.be/zj-_4MVU40s> acesso em 07 de março de 2021

Um relato de situação vivida da beleza como mediadora do conflito

     Assim que José Maria começou a lecionar naquela instituição era perceptível o desprezo dos colegas pelo professor recém-formado e recém-chegado. Um dos motivos, muito provável, é o jeito simples do homem.
     “Noutro” dia, as gargalhadas eram ouvidas de longe e vinham da sala dos professores. Um dos docentes tinha dito que quase dava dez reais para o colega José Maria ir merendar, tamanha cara de fome do novato.
     José Maria veio de família humilde – bem humilde mesmo. Dessas que tira o sustento da roça e não se preocupam tanto com o sol. Acontece que hoje ele é professor no Ensino Superior, mas com o perfil da pele queimada do sol com diversas manchas nos rosto – a cor dele é acinzentada – é moreno - da cor indiana. A magreza do professor deixa claro os tempos de rara comida. Sua cabeça achatada lembra um pouco o formato da cabeça de uma cobra. O cabelo cortado bem baixo – quase careca – é uma amostra da dificuldade de penteá-lo caso crescesse. E as roupas são bem típicas do interior – simples: botinas velhas, camisas listradas; as calças que ele usa normalmente são da cor marrom.
     A verdade é que José não tem o perfil do belo “praquele” lugar. Nem pra Ensino Médio, quiçá no Ensino Superior. Num rápido olhar o que se percebe é uma maioria branca e bem vestida; com uma altivez típica dos que nasceram para vencer e, que sempre estão de posse da verdade de todas as coisas.  
     Contudo, como o mundo dá voltas, num dia desses houve uma prova para coordenador e dentre todos os mestres, foi, justamente, José Maria quem passou em primeiro lugar. Nos dias seguintes ao resultado, os comentários foram os mais deploráveis possíveis.
     - Onde é que esse preto tem condições de coordenar nada.
     -Bicho “fei”. Quer ser coordenador.
     -“Hum!” ninguém vai respeitar.
     O que ninguém esperava é que com os primeiros salários e o conforto das salas com ar condicionado, em poucos meses a pele do professor recém-chegado clareou muito e o visual de roupas mudou. Ao assumir o posto, nos meses seguintes o que mais se viu foi uma ‘rasgação” de seda dos colegas com o antes discriminado José Maria.
    


REFERÊNCIAS



Morgan, Gareth, 1943 - Imagens da organização: edição executiva/Gareth Morgan; tradução Geni G. Goldschmidt. - 2. ed. - 4a reimpressão - São Paulo : Atlas, 2002.

Silva, José Maria da. Apresentação de trabalhos acadêmicos: normas e técnicas/José  Maria da Silva , Emerson Sena da Silveira. 5. Ed. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2009

Pinheiro, Ivan Antônio Negociação e arbitragem / Ivan Antônio Pinheiro. – Florianópolis : Departamento de Ciências da Administração / UFSC; [Brasília] : CAPES : UAB, 2012.
         82p. : il.





Macamboezio
Eu tinha seis anos e uma timidez paralisante. Morava no Tatuapé e era alfabetizado
na Penha, na zona leste de São Paulo. Ia e voltava num ônibus escolar,
daqueles que tinham uma porta só, na frente, ao lado do motor barulhento. Não
os vejo mais nas ruas. Foram fracionados em vans coreanas.
Num trajeto de ida, eu já estava num banco, quieto como uma ostra, quando
entrou no ônibus um garoto branquinho e sardento, do meu tamanho. Sentou-se
ao meu lado e começou a tagarelar. Contou uma piada e eu sorri. Contou outra,
sorri de novo. Contou uma terceira piada que eu nem ouvi, enquanto revirava a

memória, à procura de algo engraçado para retribuir. Ele terminou a terceira história
e eu emendei, orgulhoso, o que me ocorreu de mais hilariante. Tinha ouvido
de minha irmã mais velha:
— Meu amor, minha vida, minha privada entupida!
O garoto ergueu as sobrancelhas, arregalou os olhos e levou uma das mãos à boca.
Ele, escandalizado. Eu, petrificado. O ronco do ônibus, amplificado, ensurdecedor.
— Eu vou contar para a Diretora que você disse isso!
Entrei em pânico. Ele notou.
— Se você não me der uma bala eu vou contar para a Diretora! — ameaçou.
A chantagem foi enfática e imediata. Eu não tinha a bala. Nem o dinheiro.
Prometi entregar o produto extorquido no dia seguinte. E cumpri.
Fiz isso mais vezes, nos dois ou três dias que vieram depois.
Mas, em casa, à noite, aos olhos de meu pai, minha introspecção tornou-
se um mistério que nem a timidez explicava. Eu não contei nada,
constrangido com a barbaridade que tinha proferido a um colega.
E das consequências desastrosas que aquilo teria se chegasse aos
ouvidos da Diretora. Meu pai:
— Cuco (é como me chama), você anda meio macambúzio
(é como se refere ao sentimento de tristeza). O que aconteceu?
Por vergonha, tentei disfarçar. Mas ele insistiu e eu contei. Foi
a primeira vez na vida em que experimentei a sensação física de
“botar os demônios pra fora”. No dia seguinte, quando o ônibus
da escola se aproximou da casa do menino chantageador, não
me vieram a taquicardia, a angústia. Ao me estender a mão, em
cobrança da bala extorquida, ele ouviu meu primeiro discurso
de improviso. Duas frases, apenas:
— Meu pai me disse que hoje não tem bala. E que eu e você
vamos contar tudo isso para a Diretora.
A extorsão acabou. E começou um novo ciclo de minha infância.
Todos os que ouviram essa história, nos últimos 40 anos, dividem
a perplexidade entre minha ingenuidade e a precocidade
do menino chantagista.
Para mim, hoje, pai de três crianças, o mais relevante ainda é o
olhar de meu pai.
(William Bonner. In: Luís Colombini. Aprendi com meu pai. São Paulo: Saraiva. p. 235.)


1ª O texto lido é o relato de um episódio vivido pelo narrador.  Em que fase da vida do narrador o episódio ocorreu?


(A) Na fase adolescente;

(B) Na fase infantil;


2ª 4ª O relato em estudo foi escrito em uma linguagem de acordo com a norma-padrão, mas, em alguns momentos, o narrador procura se aproximar do interlocutor, lançando mão de determinados recursos. Identifique, nos trechos abaixo, a estratégia utilizada pelo autor para se aproximar de seus leitores. 

(A) A palavra tagarelar remete a um contexto informal.

(B) Eu tinha seis anos e uma timidez paralisante.


3º Onde se passaram os eventos que fizeram parte do episódio?

(A) No corredor da escola e na sala de aula;

(B) No ônibus escolar e na casa do menino;



4º Inferee-se do texto "Um relato de situação vivida da beleza como mediadora do conflito" 

(A) Os colegas professores zombavam do jeito simples de José Maria;

(B) José Maria era muito prestigiado pelos seus colegas de trabalho;


5º É implicíto no texto que

(A) a beleza depende do jeito de ser mais eletizado e do modo de se vestir do indivíduo;

(B) a beleza depende da íntimo de cada pessoa e de sua simpatia nas relações com outros;



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terça-feira, 17 de outubro de 2023

Um resumo acerca dO Homem e a Cultura de Alex Leontiev usando a técnica imanente

 

        O presente resumo versa sobre o capítulo “o Homem e a Cultura” do livro  “O Desenvolvimento do Psiquismo” de Alexis Leontiev. Para tanto é usada a técnica da leitura imanente. Nisso, o primeiro passo, depois de uma leitura superficial foi contar cada parágrafo. Os primeiros oito parágrafos trazem um histórico da evolução humana com base na leitura de “A Origem das Espécies” de Darwim. Em seguida, é trabalhado o homem como ser formado para o trabalho – são três parágrafos bem extensos. Só em “A hominização” é que o autor começa a tratar do homem como ser social construtor de sua própria história através do trabalho. A partir desse momento, em parágrafos maiores, o autor começa a enumerar a evolução do ser humano já em sociedade – são dez parágrafos ao todo que se conectam ao mesmo tema. Ao enumerar o 3 é que o autor começa a falar da cultura como um instrumento de aquisição histórica. O 4 vem fazendo um contraponto ao dito anterior porque traz  a artificialidade das coisas e que elas pouco servem caso fosse começado tudo de novo, agora só com crianças, mas com os obejtos permanecendo. A parte 5 mostra que diferente dos animais, o homem é diferente entre si a depender do lugar onde nasce ou de diversos outros fatores como a concentração de riquezas que provocarão as ideologias de manutenção do sistema. Os parágrafos do 6 podem ser considerados uma conclusão do capítulo e aborda de forma crítica a tentativa do próprio em querer avançar a espécie através da eugenia.

                    O texto é uma resposta a diversas perguntas como O homem evolui de forma gradual no meio animal? Ou esssa ideia serve ao racismo? Não seria o homem um ser de natureza social? O que é a hominização proposta por Engels? A paleantrologia tem a resposta da evolução humana? Depois de avoluir a cultura, o homem ainda evolui de forma hereditária? A principal diferença do homem para os outros animais é o trabalho? O homem é cresce a partir de sua hereditariedade ou a partir das riquezas acumuladas ao longo dos séculos? Qual a diferença entre o socialismo científico e a teoria da evolução? A ciência pode explicar a hominização do cérebro? É necessária a existência de outro homem para que outrem evolua? Então, segundo o autor, qual a única fonte original verdadeira do desenvolvimento do homem? A divisão social, através da luta de classes, é o motor das mudanças sociais? A ciência pode ser usada para confirmar ideologias? Há uma tentativa de explicar o homem do futuro?

                 A sequência lógica do texto de Leontiev é marcada por elementos coesivos sequenciais de continuidade futura do texto e, às vezes ocorre de novo parágrafo negar parte de outro, acontece com advérbios sequenciais como “depois” e negativos como “não”. Isso ocorre no segundo parágrafo e no terceiro. No quarto parágrafo já é possível perceber a tese que será desenvolvida no texto que é a de que teorias “pseudobiológicas” promoveram o racismo. Para tanto o autor foca em Darwim usando Engels para refutá-lo, sendo que o primeiro insiste numa evolução natural e o segundo num processo sócio-histórico. Na quinta página há um parágrafo extenso mostrando essa evolução marcada pelo trabalho e marcado por advérbios afirmativos como “assim” ou elementos catafóricos para continuar a tese do desenvolvimento sócio-histórico do homem como algo “ilimitado”. Ocorre com o uso do pronome “Isto”.

            Com um advérbio negativo “não” seguido de um verbo “queremos” é dada margem de aceitação para parte da tese darwiana acerca da hereditariedade, mas só até o ponto da “hominização”, porque daí em diante o que é defendido com mais ênfase é o homem se construindo.

             Em meados do capítulo, com uma conjunção advesativa “mas”, no segundo parágrafo da página é inserida uma série de perguntas que servem para continuidade do texto ao serem respondidas mais a frente com elementos coesivos catafóricos e verbos pretéritos para narrar certa histórias de tribos no intuito de confirma que o ser humano retirado de um ambiente e colocado em outro, perde parte da hereditariedade e incute em si a cultura do novo povo. Vários parágrafos são sempre iniciados com pronomes demonstrativos e verbos em primeira pessoa como “podemos”, “vimos”, “devemos”, “esclarecemos”.

            Já concluindo o capítulo o que se percebe é uma sequência de conceitos atribuídos a determinadas palavras. Acontece muito com o termo “instrumento”. Depois, temos elementos catafóricos e verbos iniciando os últimos parágrafos. Bem no fim, as conclusões são marcadas por substantivos iniciandos acontece diversas vezes com “A divisão ‘social do Trabalho’”; “A concentração de riquezas”; “o processo de alienação”; “o verdadeiro problema”.

             Fazendo um resumo de cada parágrafo de forma a forma um pequeno texto, em um único parágrafo, que remeta as vinte e sete páginas, tem-se: que de longa data o homem é diferente dos outros animais e várias áreas como a pateonlogia, a embriologia e a antropologia tentaram provar teses sobre essas diferenças sempre se afastando da questão religiosa e se aproximando da ciência. Destaque para Darwin e Engels que se contrapõem em um ser que se desenvolve naturalmente e outro que acredita no ser que é histórico social. Esse segundo é a tese defendida por Leontiev que avança colocando como peça central para esse desenvolvimento “o trabalho” que culminará com a “cultura” afastando de certa forma, até mesmo – a hereditariedade. Alguns passos são dados nesse processo – o primeiro é a “hominização” que é substituídade pelo processo de continuidade das realizações de uma geração anterior por outra vindoura e que se houvesse uma catástrofe, sem a geração anterior para explicar os objetos existentes, eles de nada valeriam para as novas crianças. É a imensidão de riquezas existentes colocadas diante do indivíduo, mas que precisa ser explicada. Há uma escolha por Marx para explicar o instrumento cultural que confirma uma ideia pré-existente e construídas por uma elite para manter as coisas como elas devem ser segundo esse grupo.

 

 

REFERÊNCIAS

 

Leontiev, Alexis, 1904-1979 O desenvolvimento do psiquismo / Alexis Leontiev ; [tradutor Rubens Eduardo Frias],-- 2. ed. -- São Paulo : Centauro, 2004.

 

Lessa, Sérgio. O revolucionário e o estudo : por que não estudamos? / Sérgio Lessa.– São Paulo : Instituto Lukács, 2014. 120 p.





 

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