quinta-feira, 1 de outubro de 2026

A importância das reformas educacionais para o desenvolvimento do sistema de educação no Brasil


                   A educação parece um ser vivo que nasceu, cresceu e, nos últimos tempos, vem lutando para não morrer. Uma das vantagens dessa instituição é a sua capacidade de se metamorfosear através de  reformas. O sistema brasileiro, por exemplo, vem passando por alterações desde 1890. A última grande modificação é a Lei de Diretrizes e Bases de 1996 que diferenciou muito pouco a escola atual da do século XIX.
                 Essa escola que se tem nos moldes atuais surge com os medievais – na escolástica. Há notícias do ensino entre os antigos, mas de forma domiciliar. No Brasil, a educação nasce com a igreja e depois é substituída por ideais do liberalismo econômico. No século XIX, o sistema educacional quase pende para a esquerda, mas gira totalmente para a direita militar.
              Em tempos recentes, com o advento da tecnologia – especialmente de ferramentas de pesquisas - e a desvinculação da maioria dos empregos à complexidade do currículo, tornar a escola atrativa passa pela necessidade de mais uma grande reforma no sistema. E, já vão passando quase dois séculos dessa necessidade que se não ocorrer logo, corre-se o risco desta época ver a “morte” da Instituição Escola. Contudo, não é a primeira vez que a escola brasileira se metamorfosea para ressurgir suprindo as necessidades de uma época.
              Destaque para nomes como Benjamin Constant, Epitácio Pessoa, Rivadávia Correia, Carlos Maximiliano, Rocha Vaz, Francisco Campo, Gustavo Capanema, que implantaram a educação primária, deram acesso feminino aos cursos secundários e superiores, mais liberdade de ensino, exames vestibulares, seriações do ensino secundário, criação de ginásios. Mais recente, tem-se as Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBs). A primeira foi a 4.024 de 20 de dezembro de 1961 e a que está em vigor é a 9.394 de 20 de dezembro de 1996.
            Percebe-se a importância das reformas educacionais para o desenvolvimento da educação. O sistema precisa dessas revisões para continuar vivo. Essas adaptações adequam o ensino a moral vigente e as mudanças no mundo do trabalho. Só para se ter uma ideia as relações religiosas com Estado e as relações entre gêneros mudaram muito nesta última década e no mundo do trabalho os serviços que envolvem repetição têm sido substituído por máquinas. Neste sentido, o emprego se volta para a criatividade.
              Por conta disso, as reformas educacionais são de suma importância para a sobrevida de qualquer sistema educacional. Sem elas a escola se torna um lugar sem conexão com a realidade. A rapidez que ganhou as interações humanas na última década tem dado sinal claro que a LDB de 96 já não corresponde os anseios do mundo contemporâneo sendo urgente outra grande reforma educacional.

















REFERÊNCIAS



MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. – 5. Ed. -São Paulo: Atlas, 2003


SANTOS, Fernando César. Política Educional Brasileira. Disponível em: <https://ava2.uemanet.uema.br/mod/assign/view.php?id=27931>. Acesso em: 20 julho. 2019.                  


UM BREVE ARTIGO SOBRE O ENSINO DE FILOSOFIA Por Isaac Sabino

 










Isaac Sabino CARDOSO1


  1 CARDOSO, Isaac Sabino. Graduado em Letras Português e Filosofia, Bacharelado em Administração Pública – Especialista em Gestão, Gestão Escolar e Educação do Campo pela UEMA. Bacharelando em Direito. Mestrando em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí


1 INTRODUÇÃO

                  Tornar o ensino de Filosofia o mais rentável e eficaz possível, como princípio de vida, implica enfrentar, para além das dificuldades do dia a dia, os constantes movimentos políticos contra a disciplina. Dito isso, uma das saídas é a constatação da necessidade de profissionalização - com notório saber - de quem deseja atuar na área, uma reserva de espaço igual ao conquistado em outras matérias como o que ocorreu com a Educação Física, ou o total desprendimento, da Filosofia, da institucionalização estatal. Conhecer bem a tradição literária – os clássicos filosóficos – com suas discussões como a existência do belo, e, no caso do Brasil, “A trajetória das matrizes filosóficas na educação [...]”, ainda, a lógica das proposições com suas diversas vertentes do estudo da “verdade” é de suma importância. Ter uma leitura clara da literatura filosófica disposta pode ser o diferencial na simplificação de algo tão complexo aos jovens do ensino secundário.

                     O espaço já existe, porém é pouco e, ainda por cima está ocupado por professores de Artes, História, Língua Portuguesa, Matemática e outros. Pode-se até dizer que a ideia, ao lotar docentes, seja justificada por alguns conhecimentos particulares existentes em cada disciplina citada, ou mais, na tomada de gosto pelo ato de filosofar de forma mais didática e metodológica, atrai-se indivíduos de outras matérias para uma graduação na própria Filosofia, contudo, esse argumento foca mais no docente e incorre no risco de criar uma repulsa dos alunos pelo conhecimento filosófico, haja vista que a apreciação demandará tempo.

                 Numa rápida conceituação do belo à luz da Filosofia, tem-se o debate Platônico como algo de outro plano que deve ser alcançado e, em períodos mais recentes, uma beleza mais relativista. Ainda é possível buscar um belo na “coisa” ou no “sujeito” - Outra discussão. Tudo isso possui uma complexidade que não é possível ser disposta numa disciplina de Artes de forma mais geral e filosófica. No caso de História, o escrito na leitura de “De Deus à Diferença – trajetória das matrizes filosóficas na educação brasileira” DE Cristiane Maria Marinho - tem-se um histórico da evolução do Ensino de Filosofia, mas com um olhar voltado para o conhecimento filosófico na história, o que, subjetivamente, sendo um professor de História a lecionar o tema, o pêndulo pode pesar para a sua matéria. Para Língua Portuguesa, as sentenças, se ficarem tão somente por aqui, ficam mais no aspecto sintático, morfológico ou semântico, enquanto quando analisadas por um filósofo há um olhar mais atento nas ambiguidades e nos aspectos implicitos tanto das palavras quanto das proposições. A mesma proposição pode apresentar todos os seus aspectos lógicos sendo melhor generalizada pelo professor de Filosofia do que pelo de Matemática.

               Não é pretensão deste artigo esgotar o assunto aqui abordado, mas desenvolver uma análise crítica frente ao improviso quanto as lotações da disciplina de Filosofia no ensino básico e, a partir daí diferenciar a produtividade de quem tem a formação na área ou não.

                   Assim, no primeiro capítulo, aborda-se NA BUSCA DA VERDADE, UM LEIGO EM FILOSOFIA PODE NÃO CONHECER OS MAIS VARIADOS CONCEITOS DESTE TEMA. Em seguida, UMA SAÍDA PARA O FILOSÓFO A PARTIR DO SABER HSTÓRICO/FILOSÓFICO: UM RETORNO AO FILOSOFAR CONTRA A LEI.


2 NA BUSCA DA VERDADE, UM LEIGO EM FILOSOFIA PODE NÃO CONHECER OS MAIS VARIADOS CONCEITOS DESTE TEMA

 

                O problema do professor de Artes, de História, Língua Portuguesa e Matemática é a verdade pronta em suas disciplinas e o desconhecimento de que na busca da “verdade” há várias concepções que precisam ser lecionadas com os alunos. Na concepção medieval, por exemplo, para essa busca, há a necessidade de se afastar do mundo físico e se situar no espiritual no intuito de se alcançar o todo. Na Modernidade essa concepção está disposta no idealismo, pragmatismo, relativismo, niilismo e voluntarismo. Dessas tendências, destaque para Descartes que acredita que as coisas se iniciam na mente e Kant que continua colocando a “verdade” no sujeito. Essa postura será chamada de idealismo por Bruno Sproviero que a critica por ser um sistema fechado que não aceita a verdade nas coisas. Perceba, que a leiguicidade nesse debate histórico é prejudicial aos discentes, que podem ter só um docente reprodutivista da coisa pronta o que pode inibir a criticidade dos mais jovens a ponto de impedi-los de participarem dessa dialética.

                  Também, há a “verdade” do pragmatismo que trata das questões práticas, mas não Sabe lidar com teóricas como as que envolvem a própria Matemática e que leva ao voluntarismo onde a verdade fica vinculada ao império da vontade. Duns Scotus, filósofo medieval, afirmava que essa “vontade” era divina, mas que a humana também pode prevalecer. Esse “voluntarismo” também será encontrado em Schopenhauer e Nietzche. Schopenhauer, por exemplo, afirma que a vontade é irracional e que o homem  não  consegue se libertar do prazer e da dor, nisso, o filósofo inaugura o pessimismo que é seguido por Nietzche e seu niilismo.

                  Na contemporaneidade, a verdade não é tão buscada porque o homem  se volta para a epistemologia, mas, quando se tira a problemática da “verdade” do campo ontológico é preciso afastar todo um  debate que incluiria Aristóteles e Tomás de Aquino. Talvez seja essa consciência que faz o homem desta época não questionar quem pouco estudou Filosofia trabalhar com esse componente curricular. Afastar ou ter pouca leitura das obras de Tomás de Aquino que leu Aristóteles  com maestria, é, também, se distanciar da “verdade” dentro de um contexto ontológico onde o criador é de ordem divina e, por conta disso,  dificilmente há a possibilidade da criatura reter as verdades daquele que cria, por completo. Seria como desejar que um animal entendesse a criação de uma casa que saiu do intelecto humano. Colocar tudo isso para o discente é já ter pronto toda uma conversa com quem formulou todos esses pensamentos. Para tanto, é necessário o tempo que possibilitou essa leitura que é aquele colocado à disposição na academia.

                  O Foco na Literatura, que pode até ser uma das áreas dentro do currículo de português, não licencia a leitura em Santo Agostinho que chega a afirmar que o “verdadeiro é o que é”, a opinião coincidindo com a de alguns filósofos antigos, e nem nos sofistas que relativizaram a “verdade”. Olhando, agora o aspecto gramatical, é verdade que se a “verdade” estivesse nas coisas, toda frase/sentença/oração seria verdadeira, porque, estando fora do “ser” não precisariam estar em acordo com os intelectos. Para Tomás não é bem assim, pois, faz-se necessário haver significado intelectual entre os interlocutores. Desse modo, a “verdade” está num combinado entre as mentes e em parte nas coisas. Nesse sentido, no aspecto litrerário e gramatical, o professor de Língua Portuguesa fica limitado ao montante da literatura que ele estudou sobrando pouco tempo disponível para a tradição filosófica.

                  Portanto, há toda uma complexidade no Ensino de Filosofia. Até mesmo este artigo, sendo só uma breve reflexão em um dos pilares filosóficos existentes, se torna de difícil leitura para quem não tem um aprofundamento em todos os pensamentos expostos. Reforça-se então a dispensa de quem não possui graduação para atuar nesta docência e uma atuação mais firme de quem tem certificação no convencimento do leigo de quanto ele prejudica a percepção de uma Arte, da Literatura, da Gramática e da Matemática no pensmento crítco do aluno.

 

3. UMA SAÍDA PARA O FILOSÓFO A PARTIR DO SABER HSTÓRICO/FILOSÓFICO: UM RETORNO AO FILOSOFAR CONTRA A LEI

 

 

                    Comforme dito em capítulo anterior, no caso de História, o disposto na leitura “De Deus à Diferença – trajetória das matrizes filosóficas na educação brasileira”, DE Cristiane Maria Marinho, tem-se uma divisão do artigo que se dá com os seguintes capítulos: “Colônia (1500-1822): de Deus à ciência mitigada; Império (1822-1889): entre o ecletismo e o cientificismo; Primeira República (1889-1930): ciência, crença, prática e liberdade; Segunda República (1930-1937): missão francesa e pragmatismo versus neotimismo; Quarta República (1945-1964): liberalismo e socialismo cristão e Regime militar 1964-1985”. Perceba que, para todos os títulos há palavras chaves têm um olhar mais na Filosofia do que na história o que, subjetivamente, sendo um professor de História a lecionar o tema, o pêndulo pode pesar para a sua formação.

               Numa leitura com foco na Filosofia, é perceptível uma dialética entre movimentos que se contrapõem, às vezes, com um novo surgindo e fazendo oposição aos que já estão. Sem falar naquele momento em que as ideias são juntadas, numa forma de ecletismo. Cita-se aqui o Ecletismo formal, porque, atualmente, até há tal movimento também, mas posto de forma incosciente e com uma mistura de ideias de difícil consciliação.

               Deixando de lado o olhar histórico e buscando uma percepção mais holística da coisa, é notório no Brasil uma “briga” entre quatro linhas de pensamentos: o cristianismo, o positivismo, o marxismo e o ecletismo. Essas ideias permeiam as mentes e separam homens até mesmo nos dias de hoje e, posto como “inimigo” de todos, sempre o Ensino de Filosofia, justamente, porque é esse saber que desnuda o cristianismo com o Laicismo de Nicolau Maquiavel ou que questiona a famosa frase “os fins justificam os meios” do mesmo pensador, mostrando que aqui, o homem pode perder certa moral ou ética. A mesma Filosofia cita Hegel e Karl Marx para evitar que suas ideias se misturem com outras que eles visavam combater, basta lembrar que em Hegel, o Estado e a família são o amadurecimento da razão do espírito: “O Estado é a realidade em ato da ideia moral objetiva, o espírito como vontade substancial revelada [...]” (HEGEL, 2009 § 257: 216); já em Marx, “o Estado é uma instituição a serviço da burguesia, para manter, validar e proteger seus interesses tendo a família como uma das engrenagens do sistema [...].” (MARX, 1986, P.19). Portanto, é essa Filosofia que não deixará nada nas sombras. Lançará luz sobre tudo. E, por mais que se queira, ela mostrará problemas em si juntar ideias que na origem nasceram contraditórias. E, a saber, todos esses conflitos desembocam nas leis, e por isso, o homem comum entende que precisa conhecer mais para tomar uma decisão consciente. Esse conhecer, esse desnundar só quem sabe fazer é a Filosofia, justamente porque ela, não por muito tempo, vai ficar sempre de um lado desses, muitas das vezes para implodí-los. A Filosofia deve ser sempre transgressora do momento e das normas vigentes.

                    Mostrar que conhece a tradição e que dialogar com personalidades como Tomás de Aquino, Nicolau Maquiavel, René Descartes, John Lock e Marx, os colocando da forma mais simples possível, mostrando suas verdades e suas contradições e como eles influenciam as vidas das pessoas com as normas, deve ser papel militante, diário, constante, do professor filósofo.

                Essa é a saída do professor de Filosofia – mostar que sabe e que, na sua natureza, há o ser mãe de todas as outras disciplinas, e por conta disso há, também, a vontade de correção do que se tem em voga. Outra natureza do Filósofo é denunciar a norma vigente, contudo, o que se tem de dilema para a docência deste profissional é se ele continua dentro do Estado ou se afasta desta insitucionalização para voltar as suas origens e denunciar a lei vigente.

 

3.1 SER OU NÃO SER: A FILOSOFIA DEVE CONTINUAR INSTITUCIONAL OU NÃO?

 

                    Munido desses embates filósoficos, onde o ensino de Filosofia aparece servindo o poder de momento, o professor filósofo sabe que sua vida é permeada pelo conflito. Nisso, para ele se manter questionador da realidade, ele deve decidir se continua no sistema e o imploda por dentro ou, então, ele pode se afastar o máximo possível das amarras do Estado e filosofar para um público usando outras ferramentas. Hoje, é possível viver fora da sala de aula e ensinando Filosofia a partir de vídeo aulas postada na rede. Porque quando se opta pela institucionalização, para além das amarras, há a humilhação da disciplina pelas migalhas oferecidas pela Legislação. Só para se ter uma ideia, a alteração mais recente da Lei de Diretrizes e Bases, a lei 13.415 de 2017 só menciona “Filosofia” no § 2º do Art. 35 A quando diz que:

“A Base Nacional Comum Curricular referente ao ensino médio incluirá obrigatoriamente estudos e práticas de educação física, arte, sociologia e filosofia”.

Além da pouca menção ao Ensino de Filosofia, fica implícito que essa matéria ficará dentro da parte diversificada que não é obrigatória como demanda a mesma lei para as disciplinas de Língua Inglesa, Portuguesa e Matemática. Como a proposta é já aumentar os “projetos” voltados para o trabalho do jovem e com uma carga horária que ainda vai ficar nas oitocentas horas, sendo ampliada gradualmente, o Ensino de Filosofia já sofre diminuição em suas aulas semanais com ausências nas 2ª e 3ª séries de várias escolas. É por conta disso que é chegada a hora do professor filósofo decidir se continua no Estado ou se toma para si sua liberdade para um combate aos moldes da antiguidade.

    Cerletti, por exemplo, chama a atenção para o problema da liberdade que seria inerente ao ensino de filosofia e seus conflitos quanto ao estado vigente em questões como sua inserção nos programas curriculares. E mostra a dificuldade de se decidir sobre a institucionalização da filosofia. Volta ao mérito da questão citando Sócrates, e questionando: quantos professores não poderiam ser chamados de “corruptores de jovens”, por redefinir ou simplesmente desvelar o status quo?

Segundo ele, devido à morte de Sócrates, toda filosofia fica mais moderada e limitada quando institucionalizada. Porém Platão foi ao extremo, meio que dizendo que o governante deveria ser filósofo.

“O questionamento filosófico encontra limites à sua circulação em prol da necessidade de assegurar o laço social”. (CERLETTI, 2009, p. 69). Ou seja, para não sumir, deve-se adequar à realidade local. Nosso país com o tamanho que tem e a diversidade de culturas, além do fato de ter governos diferentes por ente da federação, torna-se um eterno laboratório enquanto existir democracia (não que não deva existir), pois claramente, cada governo regula aquilo que comanda, sob sua perspectiva.

Cerletti discute a instrumentalização da filosofia quando a mesma serve ao propósito de ensinar “o que se deve fazer”, como mediação de aspectos socioculturais e políticos. Também descreve que na América Latina quase todo ensino de filosofia se tornou uma espécie de explanação prática sobre ética e cidadania, e não a disciplina ética. Parece que à filosofia coube a obrigação de transmitir os “valores morais vigentes na sociedade atual”, e isso dilui o sujeito político no sujeito moral. Assim, torna-se um manual de obediência ao invés de se tornar crítica ao modelo, que na verdade pode e deve ser qualquer modelo

Também critica o ensino da forma que é feita, ou seja, a educação fica circunscrita ao ensino da cidadania, ao ensino de uma democracia capitalista com a vigência de políticas de direitos humanos. Privilegia-se nas instituições de ensino mais uma filosofia de funcionalidade prática do que uma filosofia com sua potencialidade crítica.

Cerletti fala em unidades controladas pelo Estado que, no entanto, não é diferente em colégios ditos particulares onde há a mesma ideia, e isso também vem dos pais que colocam seus filhos nestas instituições que há mais de um século vêm insistindo na manutenção dos valores transmitidos aos seus filhos.

A filosofia é fundamental para formar sujeitos críticos capazes de questionar a validade de uma argumentação, a legitimidade de um fato ou a aparente inquestionabilidade do que é dado. Infelizmente, como cita o próprio autor, o filosofar fica longe da realidade quando se tem limitações impostas pelo Estado.

 

 

 

 

 

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

                  Considerando os aspectos descritos anteriormente, pode-se dizer com ênfase que o problema do ensino de Filosofia e do professor filósofo reside no fato de continuar ou não como instituição estatal. Para ser confirmada como escola democrática, a legislação vigente deveria deixar a filosofia ser o que ela se pretendeu ser quando surgiu – uma consciência questionadora da realidade vigente e sem amarras alguma, contudo desde os pedidos de Platão para a institucionalização dessa disciplina, o que se viu foi uma armadilha em que o ensino de filosofia ficou a serviço do poder de outrora. Vários autores modernos vêm questionando essa postura filosófica onde uns dizem que o espaço pode ser aproveitado para implodir a realidade a partir de dentro dela mesma e outros colocam à disposição do professor filosófo o retorno às origens da Filosofia que é a capacidade de ser totalmente livre e acusada como corruptora de jovens. Sem esse segundo passo, o que se tem é uma servidora do Estado. A ágora moderna já existe, são as redes sociais, contudo, o dilema é a coragem do professor filósofo: teria o docente do ensino de filosofia coragem de abandonar seus vencimentos pagos pelo Estado e tentar carreira num espaço mais livre?  O espaço aberto para a construção do novo Filósofo já existe, porém, por medo, preguiça e covardia é deixado de lado.

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Conversão da Medida Provisória nº 746, 2016. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13415.htm#art3 Acesso em: 03 julho 2022

 

Cardoso, Isaac Sabino. O Projeto Político Pedagógico Escolar como Planejamento Estratégico. / Isaac Sabino Cardoso. – Santa Quitéria, 2016.44f.

Bittar, Eduardo Carlos Bianca Curso de Filosofia do Direito / Eduardo C. B. Bittar, Guilherme Assis de Almeida. – 11. ed. – São Paulo: Atlas, 2015.


CAMELLO, Maurício José de Oliveira. A questão da verdade na Filosofia. Theoria – Revista Eletrônica de filosofia

CARDOSO. Isaac Sabino. A ideia, o Estado, a religião sob o olhar judaico-cristão e de Hegel a Marx. Disponível em <https://isaacsabino.blogspot.com/2020/06/a-ideia-o-estado-religiao-sob-o-olhar.html> acesso em 20 de junho de 2021

 

CARDOSO. Isaac Sabino. A questão da verdade na Filosofia – Síntese Disponível em <https://isaacsabino.blogspot.com/2018/12/sintese-questao-da-verdade-na-filosofia.html> acesso em 20 de junho de 2021

 

CARDOSO. Isaac Sabino. Busca da verdade: um conceito à Filosofia Disponível em <https://isaacsabino.blogspot.com/2012/11/busca-da-verdade-um-conceito-filosofia.html> acesso em 20 de junho de 2021

 

Cerletti, Alejandro. O ensino de filosofia como problema filosófico / Alejandro Cerletti ; (tradução Ingrid Müller Xavier]. – Belo Horizonte : Autêntica Editora, 2009. – (Ensino de Filosofia)

Descartes, René, 1596-1650. Meditações Metafísicas; tradução Lê Livros, - São Paulo : Exilado Livros, 2006

 

Descartes, René, 1596-1650. Discurso do Método/René Descartes; tradução Ciro Mioranza, - São Paulo : Escala Educacional, 2006

 

Ecletismo, Filosofia. Disponível em <https://languages.oup.com/google-dictionary-pt/> acesso em 20 de junho de 2021

ENGELS, F. A Ideologia Alemã. Tradução: Rubens Enderle, Nélio Schneider e Luciano Cavini Martorano, 1ª ed. São Paulo: Editora: Boitempo, 2007.·.

 

GOMES, Roberto, 1944 – Crítica da razão tupiniquim/Roberto Gomes. – 11.ed. – São Paulo : FTD, 1994. – (Coleção prazer em conhecer)

 

HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do Espírito. Coleção Os Pensadores, 1ª ed. Editora: Abril Cultural, 1974.

 

Locke, John, 1632-1704. Ensaio acerca do entendimento humano; tradução Anoar Aiex, - São Paulo : Editora Nova Cultura, 1999

 

MAQUAVEL, N. 0 principe Brasia: Ur5, 1979 adaptacci.

 

FRASSON, Antonio Carlos,:JUNIOR, Constantino Ribeiro de Oliveira. METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA. São Luís, Maranhão : 2010

 

 

Lück, Heloísa. Concepções e processos democráticos de gestão educacional/ Heloísa Lück. 9. Ed – Petrópolis, RJ : Vozes, 2013. Série: Cadernos de Gestão

 

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. – 5. Ed. -São Paulo: Atlas, 2003

 

 

Oliveira, Dalila Andrade. Política e Gestão da Educação / organizado por Dalila Andrade Oliveira e Maria de Fa´tima Félix Rosar – Belo Horizonte: Autêntica, 2002

 

 

IBGE. Cidades. Disponível em <http://www.cidades.ibge.gov.br/v3/cidades/municipio/2205854> Acesso em 23 de dezembro de 2016

 

Ministério do Planejamento. Disponível em <http://www.pac.gov.br/> Acesso em 01 novembro de 2016

 

MISOCZKY, Maria Ceci Araujo. Planejamento e programação na administração pública / Maria Ceci Araujo Misoczky, Paulo Guedes. – Florianópolis : Departamento de Ciências da Administração / UFSC; [Brasília] : CAPES : UAB, 2011. 184p. : il. Disponível em <http://www.impostometro.com.br/posts/carga-tributaria-brasileira> acesso em 02 de maio 2015.

 

Padilha, Paulo Roberto. Planejamento dialógico : como construir o projeto político pedagógico da escola / Paulo Roberto Padilha – São Paulo : Cortez ; Instituto Paulo Freire,2001 – (Guia da escola 3cidadã ; v. 7)

 

Paraná. Secretaria de Estado da Educação. Superintendência da Educação. Coordenação de Gestão Escolar. Organização do trabalho pedagógico / Secretaria de Estado da Educação. Superintendência da Educação. Coordenação de Gestão Escolar. – Curitiba : SEED – Pr., 2010. - 128 p.

 


 

 


sábado, 26 de setembro de 2026

A ação do filósofo na escola enquanto dimensão política Por Isaac Sabino

Por Isaac Sabino
                    

                Desde sempre a humanidade transmitiu os conhecimentos acumulados às gerações mais jovens, o ápice dessa transmissão foi a criação da escola nos moldes que se conhece hoje e que bem recentemente não tem mais atendido os anseios da sociedade. Tomado por base que todos os professores são amigos do saber e, portanto, filósofos, essas figuras têm uma missão de refletir e repensar a escola que sirva a estes tempos. E papel mais importante ainda tem o filósofo formado na academia. O problema tem sido a prevalência no foco e visão única entre os docentes - a de que a escola tem que formar um cidadão crítico - e o esquecimento de outras diretrizes tão importantes quanto.
                   Numa rápida viagem na literatura oficial, é perceptível que o homem sempre buscou formas de transmitir os saberes acumulados aos mais jovens. Isso acontecia nas rodas numa fogueira qualquer ou de forma individual – de pai para filho. No bojo de tais transmissões tinham a moral vigente e o artesanato útil às tarefas do dia a dia. Isso acontecia em todas as dimensões culturais, mas é claro que algumas sociedades avançaram mais em suas instituições de educação. O que de certa forma representou problema porque acabou por elitizar um conhecimento organizacional e tecnológico de um grupo que menosprezou as outras formas de conhecer de outros. O auge de tudo isso é o surgimento da escola que não existia em comunidades ditas mais simples.
                     Essa elitização adentrou os muros da escola em dois momentos: num quando a escola era lugar só dos que tinham posse, e noutro quando os indivíduos marginalizados no primeiro momento começaram a participar das atividades escolares. Interessa aqui falar desse segundo momento porque é quando a escola é universalizada e ao mesmo tempo em que ela começa a perder o prestígio que existia no momento anterior.
                     A verdade é que esse prestígio começa a ser perdido no momento em que os professores descriminam a cultura do aluno e seus familiares. A premissa que diz que a escola tem que desenvolver o senso crítico leva à conclusão de que a família não sabe fazer isso, e pior, que o discente não sabe pensar. A escola e os professores incorrem no erro de se acharem detentores do pensar “correto”.  Significa dizer que mesmo quando essa instituição tenha sido universalizada, o aluno continua sendo marginalizado porque é apontado como alguém que nada sabe. E aqueles que formam uma elite no ambiente escolar já recebem a formação crítica em casa e por conta disso, esses meninos ricos passaram a menosprezar a escola, e principalmente a pública, e buscar o conhecimento mais útil à vida em outros ambientes: a internet, cursinhos e fala- se até em educação domiciliar. A escola onde todos os professores passam todo o horário com o blá blá de formar senso crítico, e esquecem as outras diretrizes, não consegue ser atrativa nem para os alunos pobres que lutaram tanto ao longo da história para está ali.
                         Quando só um pequeno grupo tinha direito sobre a escola, esse pequeno grupo vivia confortável e parecia feliz. Tudo isso era associado ao espaço escolar. Depois de muita luta, o espaço foi aberto a mais pessoas, mas o conhecimento foi para outro lugar e o que restou no colégio foram só professores que tentam ideologizar crianças para serem usadas como “bucha de canhão” numa missão docente de uma política particular e corporativista. Alguns meninos caem nessa lorota, mas quem tem mais dinheiro vai assistir vídeo aulas na internet e se preparar para uma vida mais produtiva em ganhos financeiros (o sonho dos pobres quando lutaram para adentrar a escola).
                          Esse modelo de escola não corresponde mais os anseios de uma sociedade que quer ser feliz. E recai sobre os professores pararem de ressentimentos e de quererem focar só mais no desenvolver senso crítico, não que isso deva ser deixado de ser trabalhado, mas os professores e principalmente os filósofos têm a missão de conclamar o desejo por uma escola que realmente realize sonhos. Uma escola prática e produtiva. Onde realmente aconteça do aluno saindo dela e enfrentando os primeiros dias no mundo trabalho, ele diga que sabe fazer isso ou aquilo porque aprendeu na escola. Hoje isso não acontece.
                             A visão única de que a escola tem que desenvolver o senso crítico tem que parar de tratar as pessoas como criancinhas. As pessoas sabem se defender e se virar. O homem comum que fica desempregado consegue fazer diversas outras coisas para viver, mas coisas que ele aprendeu na vida, fora da escola. Agora pense no medo de um professor universitário doutor com senso crítico desenvolvido e desempregado. Ele não sabe fazer diversas outras coisas. Com todo o seu senso crítico ele é aleijado e só sabe dar aulas. Por isso, só o senso crítico desenvolvido não ajuda nas tarefas cotidianas. Aproveita-se para dizer que há outras diretrizes para cada carreira docente, mas nos últimos tempos todo o foco é só para o desenvolvimento do senso crítico. Isso é que em parte tem provocado certo desinteresse pelo universo escolar, até porque desenvolver senso crítico é mais teoria.
                            De novo, Não que o senso crítico não deva ser trabalhado, esse texto é crítico por si só, contudo, os jovens da modernidade querem criar coisas, se sentirem úteis e o filósofo contemporâneo tem a missão política de avisar aos seus colegas docentes a necessidade de se parar de discriminar os serviços técnicos, braçais, ou aqueles que gostam de empreender porque isso é, justamente, marginalizar e tirar de algumas pessoas o que os deixa feliz. É querer elitizar um tipo de conhecimento em detrimento de outros. É o que mais tem prejudicado o atrativo que deveria ser a escola. O filósofo não pode ser parcial e viver divulgando ideologias que só geram um conflito interminável. Por conta disso, esse pensador é o principal responsável em sair de um campo de cegueira e apontar outras caminhos que torne a escola mais útil.
                      
                      
                



REFERÊNCIAS


FRASSON, Antonio Carlos,:JUNIOR, Constantino Ribeiro de Oliveira. METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA. São Luís, Maranhão : 2010

Lakatos, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica 1 Marina de Andrade Marconi, Eva
Maria Lakatos. - 5. ed. - São Paulo : Atlas 2003.

Libâneo, José Carlos. Adeus professor, adeus professora. Novas exigências educacionais e profissão docente. Cortez Editora. 1998.

Silva, José Maria da. Apresentação de trabalhos acadêmicos: normas e técnicas/José  Maria da Silva , Emerson Sena da Silveira. 5. Ed. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2009





terça-feira, 22 de setembro de 2026

11ª PERGUNTA BESTA A partir da 263

      PERGUNTA BESTA


      Era um dia normal de aula e o professor se dirigiu à sala com todo o seu material didático. Havia tempos do mestre na missão do magistério e havia tempos, também, que os alunos bons haviam entrado em “extinção”. Tempos que o professor não era bem indagado. Indagado, pelo mínimo que fosse com um – “Não entendi professor? Explique de novo!”. Eram tempos ruins, tempos de pouca Inteligência, mas a esperança ainda existia dentro do mestre, e àquele dia parecia ser especial. Logo na entrada, o professor viu um aluno com um livro aberto e parecia está atento a leitura: tudo animou o educador a ir para a sala de aula.
     Na sala, o docente começou a explicar um assunto novo. Os alunos estavam atentos. Um logo se levantou e pediu a atenção do Mestre. O professor sentiu que agora sim, sairiam indagações inéditas.
- Professor! Professor. O aluno chamou o professor desesperadamente.
- Posso ir ao banheiro.
     O esmorecimento encheu o coração do Educador. Onde estaria àqueles bons meninos, que forçavam professores a se prepararem? Mal terminado de pensar, o professor foi interrompido por outro discente.
-Professor! Professor...
      Agora sim o mestre teria que está preparado, pois há horas o aluno estava atento ao assunto.
-Professor! Posso ir beber água?
     A esperança poderia morrer, pois era apunhalada sempre pelas decepções. Mas, o professor é um soldado, um soldado que vai a batalha não para destruir àqueles que o tem como inimigo, mas para educá-los.
     O educador para de explicar o assunto, ciente de que todos haviam entendido tudo. Convoca os discentes para copiar um exercício. O exercício, única forma de tornar o conhecimento firme na cabeça de qualquer um, fora o exercício, qualquer outra prática é mentirosa, e aquele educador sabe disso.
-Professor! Professor...
      Uma pergunta em pleno exercício, o aluno deve dizer que sabe desta questão e pode respondê-la agora.
-Professor! Professor. – Quantas linhas é pra saltar?
     Essa o professor não responde. “Quantas linhas é pra saltar?”. A pior de todas as perguntas, pior gramaticalmente, pior na sequência das piores, A pior. O mestre não responde. Se fosse responder diria: “- Filho, se seus pais forem ricos, deixe uma folha inteira. Se forem pobres economize o máximo”. Vendo que a resposta seria agressiva, podendo o educador pagar caro por ela, o professor então, resolveu ficar no silêncio e continuou escrevendo o exercício.
-Professor! Professor...
     O professor quis não dá atenção, seria um sinal de morte da esperança. Depois de tantas perguntas bestas, o mestre achava que seria melhor não dá tanta atenção. Mas as insistências eram desesperadoras.
-Professor! Professor! Por favor!
     O mestre olhou e pediu que o aluno falasse.
-Esse exercício que você está copiando: -É pra copiar?
     Os tempos não são favoráveis ao mestre, o discente assumiu posição muito importante. Se o professor se estressasse, o pai ou qualquer responsável poderá vir a escola e até agredir o Educador. A diretora não gostaria da atitude do docente, A secretaria de Educação e a prefeitura o desaprovaria. Então, o melhor é o professor ascenar com a cabeça que sim: -É pra copiar. São todos patrões, e todos com muitos poderes – Alunos, pais, Diretor, Secretaria de Educação e prefeito – São todos patrões.
     O sino toca, o docente termina mais um dia sofrido. Força tem de estudar, conhecimentos, também. Então, ele pensa: “Por que não sair, por que não escolher na vida um único patrão?”.






Ladra abandona filha de
anos durante assalto

Flagrada furtando uma loja com três
comparsas, uma mulher saiu correndo e
deixou a filha de 3 anos no local do furto,
em Jundiaí, interior de São Paulo. O caso
aconteceu na terça-feira, mas só anteontem
as imagens da ação foram divulgadas
pela polícia. Seguranças entregaram
a menina ao Conselho Tutelar. A Justiça
decidirá o destino da criança. Ela pode ficar
sob a guarda dos avós.
Duas das suspeitas acabaram detidas. A
mãe da menina abandonada não havia sido
localizada até a manhã de ontem.

Mulher é feita refém em
shopping no Tatuapé

Uma mulher foi mantida refém por um homem
com uma faca no pescoço, ontem à
tarde, na praça de alimentação do Shopping
Metrô Tatuapé, na zona leste da capital. Parte
do local foi esvaziada pelos policiais, e frequentadores
chegaram a pensar que havia
um arrastão. O homem acabou preso pela
PM. A vítima não ficou ferida, mas foi atendida
por uma equipe médica.


1. Ambas as notas fazem referência a problemas de violência envolvendo mulheres.


(A) Na 1ª.mulher é a agente responsável pela violência. Na 2ª.a mulher sofre a violência.

(B) Na 2ª.mulher é a agente responsável pela violência. Na 1ª.a mulher sofre a violência.

2. EM QUAL SENTENÇA HÁ UMA AMBÍGUIDADE?

(A) A mãe pediu para a menina sair do seu quarto.

(B) A mãe pediu para a menina sair do quarto do irmão.


3. DESCRITOR QUE VISA Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.

(A) 15

(B) 02

4. DESCRITOR 15 VISA Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc. São os famosos CONECTIVOS que marcam umas das cinco compdetências do texto dissertativo argumentativo; Marque a alternativa com a sequeência de elementos coesivos de sequência.

(A) dia ,pois mas Essa Depois

(B) Logo ,pois mas Essa Depois 


5. 3º INFERE-SE DE FORMA EXPLÍCITA DO TEXTO "PERGUNTA BESTA":

(A) O sino toca, o docente termina mais um dia sofrido. Força tem de estudar, conhecimentos, também. Então, ele pensa: “Por que não sair, por que não escolher na vida um único patrão?”. 

(B) O sino toca, o docente termina mais um dia sofrido. Força tem de estudar, conhecimentos, também. Então, ele pensa: “É melhor não sair, por que não escolher na vida um único patrão?”.


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6º Plan 2º Uni. 2 –Cap.3 A carta pessoal. Páginas: 159 a 162. Um conto psicológico e social : Ser ou não ser feliz agora








Leia a carta pessoal a seguir.

Rio – 18 – Fevereiro – 1946

Caríssimo Portinari:

A sua carta chegou muito atrasada, e receio que esta resposta já não
o ache fixando na tela a nossa pobre gente da roça. Não há trabalho mais
digno, penso eu. Dizem que somos pessimistas e exibimos deformações;
contudo as deformações e miséria existem fora da arte e são cultivadas
pelos que nos censuram.
O que às vezes pergunto a mim mesmo, com angústia, Portinari, é isto: se
elas desaparecessem, poderíamos continuar a trabalhar? Desejamos realmente
que elas desapareçam ou seremos também uns exploradores, tão perversos
como os outros, quando expomos desgraças? Dos quadros que você mostrou
quando almocei no Cosme Velho pela última vez, o que mais me comoveu foi
aquela mãe com a criança morta. Saí de sua casa com um pensamento horrível:
numa sociedade sem classes e sem miséria seria possível fazer-se aquilo?
Numa vida tranquila e feliz que espécie de arte surgiria? Chego a pensar que
faríamos cromos, anjinhos cor-de-rosa, e isto me horroriza.
Felizmente a dor existirá sempre, a nossa velha amiga, nada a suprimirá. E seríamos
ingratos se desejássemos a supressão dela, não lhe parece? Veja como os nossos ricaços
em geral são burros.

E adeus, meu grande Portinari. Muitos abraços para você e para Maria.
Graciliano.

Cópia da carta em
estudo, disponível
no site oficial de
Graciliano Ramos.
Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, Brasil
George Marks/Retrofile/Getty Images
159
PrODuÇÃO
De teXtO

Literatura de informação. Semântica (II). Carta pessoal e carta de apresentação CAPÍTULO 3
Julgo naturalmente que seria bom enforcá-los, mas se isto nos trouxesse
tranquilidade e felicidade, eu ficaria bem desgostoso, porque não
nascemos para tal sensaboria. O meu desejo é que, eliminados os ricos de
qualquer modo e os sofrimentos causados por eles, venham novos sofrimentos,
pois sem isto não temos arte.

(Disponível em: http://graciliano.com.br/site/1946/02/carta-degraciliano-
ramos-a-portinari/. Acesso em: 10/7/2015.)



1º - A carta lida tem como interlocutores dois conhecidos artistas brasileiros. A quem ela foi endereçada e qual era atividade artística a que se dedicava ao destinatário

(A) A Portinari que se dedicava a pintura;
(B) A Graciliano Ramos se dedicava a literatura;

2º - quais trechos abaixo são aqueles que atualmente parece informais?

(A) A sua carta chegou muito atrasada;
(B) receio que esta resposta já não o ache;

3º - Segundo o site dos Correios, o endereçamento correto de ter a seguinte estrutura:

(A) nome do destinatário, tipo do logradouro, nome do bairro, nome da localidade, CEP;
(A) nome do remetente, não precisa do logradouro, nome do bairro, nome do local, CEP;

4º - Escreva em no mínimo 10 e no máximo 15 linhas uma carta obedecendo todas as regras estudadas no capítulo (Cidade, Data e no término despedida com o nome da pessoa com quem voê conversa e o seu nome)


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O Caniçal

     Já fazia anos que ela pegava cocorotes. Aquela vida começou quando tinha três anos. Hoje tem quinze. Seus pais acreditavam e a mandaram para o lugar onde todos acreditavam sair de lá com sucesso – o Caniçal. 
     O relógio marcava a proximidade de mais um dia de aulas. Maria se maquiava; a menina era bonita e inteligente.   
     Já no Caniçal, o professor pegou a aluna Joaquina e iria cumprir a rotina que já existia há anos em todos os cantos daquele estranho mundo. Colocou a mão na parte de trás do pescoço da menina e começou a cocorotar. Dizia que os meninos só seriam grandes se suportassem até a campa tocar. A boca de Joaquina ficava entre-aberta e escorria muita saliva pelo canto. Seus olhos ficavam arregalados, mas ela suportava.
     O primeiro coque doía muito, do mil em diante nada mais era sentido. Cansado, doído, humildemente o mestre cumpria a sua missão de cocorotar. Ele também acreditava naquilo.
     No dia seguinte, Maria se arrumou, penteou o cabelo e saiu. Chegando à escola encontrou seus amigos de classe. Tinha um que ela não suportava - “o traidor Pedro”  ( o chamavam assim por ser o dedo duro da turma). 
— onde está a Joaquina? Perguntou Maria.
— Ela não veio, parece que seus pais a colocaram num outro caniçal. Particular.  – “n’outra” cidade. Dizem que os coques daqui são poucos e não levam ninguém a lugar algum. Alguém falou. 
— ela é uma tola, nós vamos ter sucesso na vida é a partir daqui. Disse Pedro.
     Maria ouvindo aquilo ficou com uma raiva e pensou: como sofrer tanto pode está vinculado ao sucesso? Não faz sentido.
     O professor se aproximou e começou a dar cocorotes na menina.
     Maria com a cabeça ardendo pediu para sair. Foi quando ouviu o coordenador Sabino falando ao telefone com um representante do governo. 
— meu querido amigo, a safra deste ano vai ser a melhor de todas. Serão ótimos pagadores de impostos. Trabalhadores braçais muito bons. Os coques os colocam em seus lugares. Os tornam mansos. Nesse ano teremos os meninos que menos questionam. Eles acreditam que quanto mais coques aguentarem, mais sucesso terão. São uns tolos. Mas, é claro que vamos deixar que um deles tenha um bom emprego. Seja o sucesso. Só um, não mais. Os outros vão se encher de esperança querendo ser como esse um. 
— Do que ele esta falando?  — quer dizer que eles estão nos enganando? Pensou Maria ao ouvir tudo.
     A garota volta para a sala de aula e como sempre ver os seus amigos recebendo coques. Aquilo a deixa  nervosa. É quando com a voz estrondosa manda o professor parar:
— Vocês não entendem. É tudo ilusório. No fim não seremos aquilo que tanto desejamos. Estamos sendo preparados como gado ou ovelhas para o abate.    O professor é só mais uma vítima inconsciente nisso tudo. Só o coordenador e as autoridades sabem. No futuro vamos apenas trabalhar muito para gerar impostos para uns poucos viverem confortavelmente.
     De início o professor até concordou com a menina, mas para puni-lá, o mestre  a leva ao poderoso coordenador:
— o que?! Essa menina está nos desafiando? Disse o coordenador.
— você é um mentiroso! Disse Maria.
— como?! Do que você esta falando? Perguntou o Sabino.
— você sabe muito bem. Você não me engana, e em breve não enganará mais ninguém.
     O poderoso coordenador ordenou que a levassem para um quarto escuro no interior do caniçal. E lá ele passou horas dando cocorotes em sua cabeça. 
     No outro dia ele a tirou do quarto e a levou para a sala de aula, os amigos quando viram seu estado ficaram com muito medo. 
     O coordenador pediu a ajuda do aluno Pedro. A proposta do menino foi rápida: 
— faça eventos: futebol, desfiles. Isso fará todos ficarem com você.
     Dias após ocorreram diversas festividades.
     O resto do ano foi marcado por palavras como suspensão, expulsão e outras que provocam medo. A rotina de cocorotes continuou. A aluna Maria suportou tudo e ao término do ano prestou um vestibular e conseguiu o primeiro lugar num bom curso. Formou-se numa profissão muito boa e ganhou muito dinheiro. 
[...]
— É mais um início de ano letivo. Sejam todos bem vindos. O exemplo que vamos falar hoje é de uma grande aluna do passado. Que suportava tudo. Uma vencedora. Passou num bom vestibular e é o sucesso de nossa instituição. Espelhem-se nela – a aluna Maria -  Disse o Coordenador Sabino aos novatos que chegavam para mais um ano letivo de aula.





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